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Dívida externa líquida cai para 80,7% do PIB em 2021, o valor mais baixo desde 2009

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A dívida externa líquida portuguesa situou-se nos 170.600 milhões de euros no final de 2021, representando 80,7% do Produto Interno Bruto (PIB), o valor mais baixo desde o terceiro trimestre de 2009, anunciou hoje o BdP.

Resultante da Posição de Investimento Internacional (PII) do país, excluindo os instrumentos de capital, ouro em barra e derivados financeiros, a dívida externa líquida passou de 87,8% do PIB no final de 2020 (175.600 milhões de euros) para 80,7% no final de 2020 (170.600 milhões de euros), refere o Banco de Portugal (BdP).

Segundo os dados do banco central, em dezembro de 2021 a PII de Portugal registou o "valor menos negativo desde o terceiro trimestre de 2008": o saldo entre os ativos financeiros sobre o exterior detidos por residentes e os passivos emitidos por residentes e detidos pelo resto do mundo passou de -104,8% do PIB (-209.700 milhões de euros) no final de 2020 para -95,8% do PIB (-202.600 milhões de euros) no final de dezembro de 2021.

Esta variação da PII decorreu sobretudo das variações cambiais positivas dos ativos externos detidos por residentes expressos em dólares americanos, kwanzas de Angola, meticais de Moçambique e em libras esterlina, no valor de 3.300 milhões de euros.

De acordo com o BdP, "este efeito afetou o investimento de carteira e o investimento direto, nos quais a componente de capital assume maior expressão".

A variação da PII resultou ainda do contributo positivo da desvalorização dos títulos de dívida pública portuguesa detidos por não residentes e da valorização de derivados financeiros do setor financeiro residente. Em sentido contrário, destacou-se a valorização de títulos de capital de empresas portuguesas detidos por entidades não residentes.

De registar ainda o contributo positivo das transações, de 1.900 milhões de euros, para a variação da Posição de Investimento Internacional e o contributo negativo dos 'outros ajustamentos', de -1.200 milhões de euros, "resultantes, em grande medida, da deslocalização de uma entidade sediada na Zona Franca da Madeira".

Segundo o banco central, da redução de 9,07 pontos percentuais no rácio negativo da PII no PIB, 3,39 pontos percentuais resultam da variação nominal negativa da PII e 5,68 pontos percentuais do crescimento do PIB.