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Líderes do G20 comprometem-se com medidas urgentes contra a crise alimentar

Foto EPA/MAST IRHAM/POOL
Foto EPA/MAST IRHAM/POOL

Os líderes do G20 comprometeram-se hoje, numa declaração conjunta, a "tomar medidas urgentes para salvar vidas, prevenir a fome e a desnutrição", com foco nos países mais vulneráveis, e apelaram a uma transformação para uma agricultura sustentável.

"Comprometemo-nos a proteger da fome os mais vulneráveis, utilizando todos os instrumentos disponíveis para gerir a crise alimentar", lê-se no texto, que faz parte de uma declaração de 17 páginas aprovada pelos líderes do G20 no final da cimeira que termina hoje em Bali.

No documento, com 52 pontos referentes a diferentes temas, vários destinados à segurança alimentar, uma das principais preocupações do grupo das 20 principais potências do mundo, que chegaram a um acordo, contrariando as expectativas.

O grupo promete "tomar ações coordenadas para enfrentar os desafios da segurança alimentar, incluindo o aumento dos preços e o défice global de matérias-primas e fertilizantes", embora ainda não tenha apresentado medidas concretas.

De facto, uma das possibilidades contempladas, que era acertar em Bali a prorrogação do acordo adotado em julho para libertar cereais e fertilizantes russos e ucranianos, que expira em 19 de novembro, não se concretizou.

A declaração apenas enfatiza a "importância de sua implementação contínua por todas as partes relevantes".

Neste sentido, pouco antes da divulgação da declaração conjunta final, o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que integra a coordenação e supervisão do acordo, assegurou, em conferência de imprensa, que o Presidente russo, Vladimir Putin, lhe tinha dado "luz verde para renovar ".

"Tivemos discussões e, para já, sou da opinião que vai continuar e, quando regressar, falarei com Putin e com outros interlocutores", disse hoje o líder turco, sem dar detalhes sobre quando essa prorrogação irá tomar lugar.

O acordo de exportação de grãos foi assinado em julho e, embora tenha sido brevemente suspenso pela Rússia, em outubro, devido a um ataque ucraniano à península da Crimeia, foi retomado logo de seguida e deve expirar em 19 de novembro.

Cerca de 10 milhões de toneladas de grãos e outros alimentos da Ucrânia e da Rússia já foram exportados com base neste acordo de grãos ou na Iniciativa de Grãos do Mar Negro, informou a ONU na semana passada.

As Nações Unidas alertaram que o mundo está a enfrentar uma crise alimentar global "sem precedentes" e que 2022 pode ser um ano em que o número recorde de pessoas que passam fome seja atingido novamente.

O número de pessoas que sofrem de fome ou desnutrição grave aumentou 22% este ano, para 345 milhões, devido à crise climática, conflitos e dificuldades económicas, segundo dados do Programa Mundial de Alimentos (PAM).