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Macron concede a mais alta distinção de França a forte opositor de Jair Bolsonaro

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Foto Jefferson Rudy/Ag.Senado

O Presidente francês, Emmannuel Macron, vai conceder a comenda 'Légion d'honneur', a mais alta distinção de França, ao senador brasileiro Randolfe Rodrigues, um dos maiores opositores do chefe de Estado do Brasil, Jair Bolsonaro, informaram ontem fontes oficiais.

"O Presidente francês, Macron, marcou data para a entrega da comenda 'Légion d'honneur', maior honraria do país, ao nosso senador Randolfe Rodrigues. A condecoração é um reconhecimento pela atuação do parlamentar no enfrentamento da covid-19 no Brasil", anunciou o partido brasileiro Rede Sustentabilidade na rede social Twitter.

Já o senador declarou que a distinção pertence às famílias brasileiras que perderam entes queridos devido à pandemia.

"É muito mais do que eu mereço e mais longe do que pensei chegar. A comenda não pertence a mim, mas sim às milhares de famílias brasileiras que tiveram um amor retirado de suas vidas pela pandemia da covid-19", escreveu no Twitter o senador, que foi vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que ao longo de seis meses investigou falhas e crimes na gestão da covid-19 no Brasil e atribuiu nove crimes a Bolsonaro.

A cerimónia, tradicionalmente realizada em Paris, acontecerá na embaixada francesa em Brasília, devido ao momento pandémico, e está marcada para 06 de dezembro.

Oito dias após receber o ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Eliseu, na capital francesa, Macron distingue agora Randolfe Rodrigues, que será o único brasileiro e único político a ser agraciado este ano, segundo a imprensa local.

O Governo francês indicou, citado pelo jornal Folha de S.Paulo, que a condecoração é um reconhecimento pela atuação do parlamentar no combate à covid-19 no Brasil e pela sua "defesa fervorosa" do meio ambiente e do Acordo de Paris, "como ilustra o seu forte comprometimento com a luta pela preservação das reservas na Amazónia" e a sua "incansável dedicação ao desenvolvimento das regiões limítrofes do Amapá e da Guiana Francesa".

Jair Bolsonaro descreveu hoje como "uma provocação" o facto de Emmanuel Macron ter recebido Lula da Silva na semana passada em Paris, sendo que os dois políticos são fortes críticos do atual mandatário brasileiro.

Macron e Bolsonaro já se desentenderam publicamente em várias ocasiões, devido a políticas ambientais do Brasil, principalmente, as ligadas à preservação da Amazónia.

"Parece que é uma provocação. Será que ele [Macron] e os seus serviços de inteligência não sabem quem foi Lula [da Silva] aqui", questionou o Presidente brasileiro, numa entrevista à rádio Sociedade da Baía.

"Macron tem um problema comigo" e "até recentemente ele publicava fotos com mais de 10 anos dizendo que a Amazónia estava a pegar fogo", acrescentou Bolsonaro.

Aumentando o tom, o Presidente brasileiro acrescentou que "a França não é um exemplo" para o Brasil, "muito menos o senhor Macron, que está muito bem acompanhado por Lula [da Silva]", a quem qualificou de corrupto.

Lula da Silva, que já surge como grande favorito e principal rival do Bolsonaro nas eleições de 2022, fez recentemente um périplo que o levou à Alemanha, Bélgica, França e Espanha, onde foi recebido por várias autoridades, o Parlamento Europeu, por Macron e também pelo Presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez.

Nos últimos meses, Bolsonaro tem dedicado boa parte dos seus discursos a criticar Lula da Silva, que por sua vez mantém uma linha dura de crítica ao governo.

Na sua viagem pela Europa, Lula da Silva afirmou que Bolsonaro "está a destruir o país", reiterou que "em fevereiro ou março" decidirá se será candidato no próximo ano e disse que, se assim for, a sua tarefa será "recuperar o prestígio do Brasil e que as pessoas possam comer três vezes ao dia".