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França apela aos seus cidadãos que abandonem a Etiópia devido à escalada do conflito

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Reuters

A França apelou hoje aos seus cidadãos para deixarem a Etiópia "sem demora", uma vez que os combates se aproximam da capital, Adis Abeba, após mais de um ano de guerra entre as forças governamentais e os rebeldes de Tigray.

"Todos os cidadãos franceses são formalmente convidados a deixar o país sem demora", comunicou a embaixada francesa em Adis Abeba, através de um 'e-mail' enviado aos membros da comunidade francesa.

A embaixada, que diz estar a tomar esta decisão tendo em vista "a evolução da situação militar", acrescenta que pretende facilitar a partida de nacionais em voos comerciais reservando lugares e "se necessário" fretando um voo.

Antes da França, vários países, incluindo o Reino Unido e os Estados Unidos da América, exortaram os seus cidadãos a deixar o país. Estes últimos também retiraram o seu pessoal não essencial.

Um funcionário da embaixada disse à agência de notícias France-Presse (AFP) que poderiam ter lugar partidas "voluntárias" de pessoal, especialmente entre famílias.

O primeiro-ministro, Abiy Ahmed, enviou o exército federal para Tigray no início de novembro de 2020 para retirar as autoridades da Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF) na região, que estavam a desafiar a sua autoridade e que acusou de atacarem bases militares.

Ahmed, que ganhou o Prémio Nobel da Paz de 2019, declarou a vitória três semanas depois da captura da capital regional de Tigray, Mekele. Mas em junho, os combatentes pró-TPLF retomaram a maior parte da região e continuaram a sua ofensiva nas regiões vizinhas de Amhara e Afar.

No final de outubro, a TPLF alegou ter tomado duas cidades-chave em Amhara, aproximando-se da capital, Adis Abeba. Algo que o Governo etíope negou.

A TPLF, que se aliou ao Exército de Libertação Oromo (OLA), afirmou esta semana estar em Shewa Robit, a 220 quilómetros de Adis Abeba.

O Governo também não se pronunciou sobre esta informação.

Diplomatas familiarizados com a situação de segurança dizem que alguns combatentes rebeldes chegaram à cidade de Debre Sina, cerca de 30 quilómetros mais perto da capital.

Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos da comunidade internacional intensificaram-se numa tentativa de assegurar um acordo de cessar-fogo. Ainda hoje os presidentes da África do Sul e do Quénia exortaram este pedido, de um diálogo entre o Governo e os separatistas. 

O enviado da União Africana para o Corno de África, o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, e o seu homólogo norte-americano Jeffrey Feltman visitaram a Etiópia quinta-feira passada e intensificarem os esforços para a negociação de um cessar-fogo no norte do país.

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, avisou recentemente que a Etiópia poderia "implodir" se não se encontrasse uma solução política para o conflito.

Estando a Etiópia no cerne das preocupações internacionais, o Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM) anunciou hoje o lançamento de uma "grande" operação de ajuda humanitária para mais de 450.000 pessoas no norte da Etiópia, em Dessie e Kombolcha.

A resposta do PAM no norte da Etiópia precisa urgentemente de 248 milhões de euros para satisfazer as necessidades durante os próximos seis meses.

O balanço do conflito ascende a milhares de mortos, a dois milhões de pessoas deslocadas internamente e, pelo menos, 75.000 refugiados no vizinho Sudão, de acordo com números oficiais.