Mundo

Governo ordena “militarização” de estado após morte de mais dois manifestantes na Venezuela

Foto REUTERS/Marco Bello
Foto REUTERS/Marco Bello

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou a “militarização” do estado de Táchira, onde nas últimas horas foram assassinados mais dois manifestantes opositores.

A medida foi anunciada pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e acontece um dia depois de ter sido publicado um novo decreto que permite ao Executivo adotar medidas de “exceção” para garantir a ordem interna, inclusive restringir garantias constitucionais.

Segundo o ministro, trata-se da segunda fase do Plano Zamora (coordenação cívico-militar para garantir o funcionamento e segurança do país) no qual participam 2.000 oficiais da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) e 600 “tropas” de operações militares.

“Lembrem-se, senhores da violência, que não estão a jogar sozinhos. Estão contra um Governo que busca a paz. Nós, Governo bolivariano, não vamos permitir que a pátria venezuelana caia em caos”, disse à televisão estatal venezuelana.

Por outro lado, responsabilizou a oposição pelos mais de 44 assassinatos ocorridos desde 01 de abril no país e insistiu que a GNB não usa “armas de fogo letais, nem espingardas, pistolas, nem metralhadoras” para reprimir os manifestantes. Disse também que, por ordens do chefe de Estado, está proibido o uso de balas de borracha durante os protestos.

Para o ministro existe uma ação “subversiva” no país, que procura a instabilidade, apontando a uma “fase de insurgência armada”.

Segundo o ministro uma centena de pessoas “assediaram”, em Táchira, a 830 quilómetros a sudoeste de Caracas, um grupo de artilharia do exército, dirigindo explosivos de fabrico caseira para uma zona onde estavam botijas de gás.

Tanto o Governo venezuelano como a oposição responsabilizam-se mutuamente pela violência no país.

Durante as manifestações contra o Presidente Nicolás Maduro são registados frequentemente feridos por tiros de borracha, ocasionados durante a repressão de manifestantes.