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Novas manifestações na Roménia apesar do recuo do Governo na lei anticorrupção

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Cerca de 500.000 pessoas, segundo diversos ‘media’, manifestaram-se esta noite na Roménia apesar do recuo do Governo no projeto de legislação anticorrupção, no sexto dia dos maiores protestos no país desde o derrube em 1989 do regime de Nicolae Ceausescu.

A retirada de um decreto que teria permitido a responsáveis políticos evitarem processos judiciais por corrupção não foi suficiente para desmobilizar os manifestantes, cerca de 250.000 em Bucareste e um número similar em outras cidades da Roménia, segundo os cálculos de diversos ‘media’. Muitos dos manifestantes exigiam a demissão do Governo social-democrata de Sorin Grindeanu.

O primeiro-ministro da Roménia anunciou no sábado em conferência de imprensa a abolição do polémico texto. “Não queremos dividir a Roménia. Não pode estar dividida em duas”, afirmou na ocasião.

O decreto, aprovado na terça-feira e que deveria entrar em vigor na próxima sexta-feira, definia um crime de abuso de poder, punível com prisão, apenas se a soma envolvida ultrapassasse os 200.000 lei (44.000 euros).

O Governo do Partido social-democrata PSD), no poder há cerca de um mês, também pretendia através de um decreto separado libertar da prisão cerca de 2.500 pessoas que cumprem penas inferiores a cinco anos.

O texto poderia permitir que diversos responsáveis políticos suspeitos de corrupção escapassem a processos judiciais, incluindo o poderoso líder do PSD Liviu Dragnea, antigo ministro e atual presidente da Câmara de Deputados (parlamento), de momento está indiciado num processo por emprego fictício.

Na quinta-feira, Dragnea garantiu que não poderia beneficiar do novo decreto e denunciou “uma tentativa para desestabilizar o Governo por meios mais ou menos legais”, referindo-se a “uma campanha de mentiras e desinformação”.

Nas suas declarações, acusou ainda o Presidente de centro-direita Klaus Iohannis, com quem o Executivo mantém uma guerra aberta, de ser “o autor moral da violência” que ocorreu no final da manifestação na capital, Bucareste, entre grupos isolados de manifestantes e forças policiais.