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OEA condena detenção de professor na Venezuela

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A Organização de Estados Americanos (OEA) condenou hoje a detenção do professor de Economia, da Universidade de Carabobo, Santiago Guevara, 71 anos, acusado pelas autoridades de “traição à pátria e instigação à rebelião”.

“Condenamos a arbitrária detenção do professor Santiago Guevara. Liberdade já”, escreveu o secretário-geral da OEA, Luís Almagro, na sua conta na rede social Twitter.

A detenção, segundo a imprensa venezuelana, teria tido como motivo vários artigos publicados em meios de comunicação internacionais, sobre análises económicas e políticas da situação venezuelana.

De acordo com o vice-reitor da Universidade de Carabobo, José Ángel Ferreira, o professor recebeu em sua casa, na passada terça-feira, 21 de fevereiro, uma visita de oficiais da Direção de Contra-Inteligência Militar, que lhe entregaram uma citação, para presença nas forças de segurança, a que respondeu voluntariamente, dois dias depois.

Nessa altura foi detido e, apesar de ser um civil, foi acusado por um tribunal militar de traição à pátria e instigação à rebelião.

Santiago Guevara foi titular da escola de Economia daquela universidade que se situa a 150 quilómetros a oeste de Caracas, e estava reformado, dedicado à escrita, tendo problemas de saúde como hipertensão, doença hepática e escoliose.

É especialista em estudos de prospetiva - estudo de cenários futuros, a partir de variáveis políticas, económicas e sociais.

Entre os seus trabalhos contam-se ensaios sobre como seria a Venezuela se fosse governada pelo ex-candidato presidencial opositor Henrique Capriles Radonski, a opositora Maria Corina Machado e o empresário Lourenço Mendonça (proprietário de Polar, a principal empresa de produção alimentar do país).

Santiago Guevara escreveu igualmente sobre como seria o futuro do país se houvesse um golpe de Estado militar, ou se o ‘chavismo’ continuar a governar.

O cenário de uma Venezuela post-chavista foi igualmente tratado pelo professor jubilado da Universidade de Carabobo.

No seu último ensaio, publicado a 09 de fevereiro último, com o título “De Goya à sã Prospetiva”, analisa o panorama venezuelano, cada vez mais complexo pela crise social e pela possibilidade de uma “explosão social” ou de um “motim do pão”.

Nele, Guevara antecipa a possibilidade de que o regime aplique uma “cubanização agravada”, uma transição económica que obrigue a mudanças políticas, ou siga o modelo chinês, uma mudança económica sem alteração de política interna.

Atualmente Santiago Guevara investigava os efeitos de uma transição política no país.