O lado de dentro do Funchal Jazz Festival em vídeo

O Funchal Jazz Festival já é tradição na Madeira. Desta quinta-feira até sábado, vários artistas internacionais sobem ao palco do Parque de Santa Catarina, no Funchal. Como é que tudo acontece? Filipe Gonçalves, da organização, explica.

12 Jul 2017 / 21:14 H.

O palco já estava levantado quando chegámos ao Parque de Santa Catarina, mas até arrancar o Funchal Jazz Festival, já na noite desta quinta-feira, há muito trabalho pela frente. Montagens por terminar, detalhes por acertar e imprevistos que aparecem à última da hora e têm de ser ultrapassados. Vêem-se carrinhas, umas a entrar, outras a sair, mais circuitos de fios por todos os cantos e estruturas de metal a ganhar forma e a ficarem de pé a meio da relva.

Logo que chegamos ao recinto, apesar de ainda estarmos nos dias que antecedem o Funchal Jazz Festival, somos imediatamente recebidos com um número acrobático inesperado. No mínimo, de grande perícia: as escadas de metal estão encostadas a um poste de luz, ambos de grande altura. Agarrado só por uma mão, o rapaz vai trepando, esguio e em equilíbrio. Debaixo do outro braço, tem um volumoso (e pesado, acreditamos) foco de luz que vai encaixar e prender no topo da coluna. Esta foi a primeira subida, mas não será a única. A ideia, explicam-nos, é que todo o recinto fique iluminado nos momentos em que as bandas não estão em palco. Ainda terá de trepar muitas vezes, pensamos.

Na véspera do arranque festival, os 250 mil watts de luz já estavam montados, também os 120 mil watts de som. Assim que pisamos o palco e temos a visão contrária à que estamos habituados, a dos artistas, percebemos que o público sentado nas primeiras filas das cadeiras fica quase dentro do palco, muito próximos dos artistas. O palco não é muito alto, o que não é de estranhar. Os músicos estão habituados a ter os ouvintes bem perto nas jam sessions em que participam, típicas deste género de música.

Fotos: Joana Sousa /ASPRESS

O piano é o único instrumento que não sai do palco e será partilhado pelas bandas, explica Filipe Gonçalves, da organização do festival. Já está afinado e não convém que seja mexido mais nenhuma vez. “Toda a parte de disposição de som e de robótica mantém-se. O que muda é o esquema de luz”, diz Filipe. Na boca de cena, ainda está a mesa de desenho de luz, que será retirada quando o festival arrancar. No ‘backstage’, estará o desenhador durante os concertos para que o jogo de luzes funcione na perfeição.

“Como não há muitas empresas deste tipo de itens [sistemas de luzes, som, entre outros] na Madeira, tentamos modificar de ano para ano a forma como utilizamos tudo, de forma a proporcionar sempre ambientes diferentes”, conta Filipe Gonçalves. Este ano, por exemplo, vão espalhar pela relva oito grandes bolas de luz (em 2016 só ligaram quatro), a quantidade de city colors (luzes) também aumenta em 2017 e haverá mais novidades nas decorações, para descobrir a partir desta quinta-feira à noite.

Filipe não pára um segundo. À medida que vamos conversando, é constantemente interrompido por colaboradores apressados, com perguntas repentinas, algumas aparentemente pouco expectáveis. Mas parece estar tudo controlado: “Até às 15, 16 horas de quinta-feira, vamos ter o espaço pronto para o arranque do festival”, afiança Filipe Gonçalves, da organização do Funchal Jazz Festival.

Nesta edição, o Funchal Jazz conta com 19 ‘sponsor’, mas só oito têm espaços para montar no recinto. Esta quarta-feira à tarde, esses stands tomavam forma, e as mesas e cadeiras de apoio aos bares já estavam dispostas na zona mais alta do recinto.

Ao mesmo tempo que se acertavam outras tarefas.

As cadeiras de plástico dobráveis estavam atiradas pela relva. São 16 horas num dia de Julho e o calor está no pico. O processo é mecânico e cansado: agarra cadeira, abre cadeira, arruma a cadeira. Depois, é colocada milimetricamente ao lado das que já estão montadas. Há espírito de equipa e os colaboradores vão trocando de tarefa. E nem podia ser de outra forma: há cerca de 1200 cadeiras para abrir e arrumar. Nos restantes dias do festival têm de ser, todas, novamente realinhadas antes da abertura de portas do evento.

Fotos: Joana Sousa / Aspress

Nesta fase de montagens, estão cerca de 50 pessoas a trabalhar no terreno. Desde profissionais da Câmara Municipal do Funchal, às das empresas organizadoras e às dos sponsor do Funchal Jazz. Começam a trabalhar de manhã, mas há quem fique noite dentro, especialmente na véspera da abertura do festival, para fazer testes de som e de luz. Os soundchecks de cada banda

são feitos nos dias em que tocam, largas horas antes do concerto.

“O tempo é sagrado”, atira Filipe Gonçalves. É que este ano o festival mantém a tradição e os concertos começam mesmo à hora certa. A experiência dos anos anteriores traz aprendizagem, diz, e “em equipa que joga não se mexe”, graceja. Por isso, “a contagem regressiva no ecrã, antes de cada espectáculo” também se mantém.

Ao contrário de há dois anos, quando um dos artistas pediu “uma bebida específica de Marrocos”, em 2017 os pedidos não foram arriscados: “Apesar de serem grandes estrelas no seu estilo, os músicos de jazz são muito simples e de bom trato, comuns mortais como nós. É uma das suas características”, justifica o colaborador. Por isso, a organização decora os camarins de forma muito simples: há sofás, comes e bebes, e algumas plantas e apontamentos decorativos. As tendas destinadas aos músicos ficam no lado esquerdo do palco, por onde entram em cena. Passando pelas entranhas da grande estrutura, que esconde máquinas e tecnologia por baixo, chegamos à lateral contrária do backstage. Ali, já estão alguns instrumentos musicais, já que é a zona onde as bandas dispõem os materiais antes de entrarem em palco. A logística está toda pensada, claro: quando o primeiro concerto terminar, os instrumentos são rapidamente retirados do palco para entrarem os da banda seguinte. O espaço é suficiente para evitarem choques de materiais e a produção já está habituada a estes andamentos.

Fotos: Joana Sousa / Aspress

O Funchal Jazz Festival começa esta quinta-feira e acontece até sábado. Todo o programa pode ser consultado aqui.

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