‘Mãe’ é o novo álbum do Fadista Gonçalo Salgueiro apresentado em Outubro

Lisboa /
30 Set 2017 / 10:23 H.

O novo CD do fadista Gonçalo Salgueiro, “Mãe”, é apresentado no dia 14 de outubro, em Lisboa, e assinala o regresso da etiqueta discográfica Estoril aos álbuns originais, nove anos depois da morte do seu fundador, Manuel Simões.

A temática materna é o traço de ligação dos fados, com letras de autoria do próprio Gonçalo Salgueiro, mas também com poemas de Miguel Torga, João Linhares Barbosa e João Fezas Vital, entre outros autores, interpretados em melodias originais e fados tradicionais, como o Noquinhas, de Fernando Freitas, Alberto, de Miguel Ramos, Santa Luzia, de Armando Machado, ou a Marcha, de Alfredo Marceneiro.

“Gravar este CD foi uma forma de exorcizar as dores de um luto, e partilhar este sentimento com outras pessoas”, disse o fadista.

Dos 14 fados que compõem o CD, nove têm letra de Gonçalo Salgueiro, que abre o alinhamento com “Mãe”, um poema de Miguel Torga, que gravou numa melodia de Frei Hermano da Câmara.

“O meu trabalho é sempre altruísta, e quando tive esta perda... O sofrimento, a dor, a saudade são muito grandes, mas quando partilhei este sentimento, através das redes socais, descobri que havia muitas outras pessoas que estavam a passar pelo mesmo”, contou o fadista, acrescentando que “cantar é uma forma de exorcizar a dor” que sente.

“Este disco é como uma libertação dessa dor, e não o fiz só para mim, mas também para quem me ouve e que passou pelo mesmo”, disse.

O álbum “Mãe” é editado pela Estoril, etiqueta da Fundação Manuel Simões (FMS), no âmbito das comemorações do centenário do nascimento do editor discográfico (1917-2008).

De Linhares Barbosa, na melodia do Fado Corrido, Gonçalo Salgueiro gravou “O Ardinita” e, de Fezas Vital, na Marcha do Marceneiro, “Se me dão a solidão”.

O fadista, por seu turno, afirmou à Lusa que gosta “da modernidade na continuidade do tradicional”. “Nunca rejeito o passado, pois não existe futuro, sem passado nem sem o presente”, disse.

Nas letras de sua autoria, a palavra “mãe” está absolutamente ausente, uma questão que foi “propositada”, explicou o fadista, que evitou “muitas das letras” que considera “um pouco derrotistas e até lamechas”.

“Acho que se pode dizer a mesma coisa por outras palavras, o sentido está todo lá, basta a pessoa estar atenta”, declarou, acrescentando: “O meu desabafo poético é todo interior, e nunca com comiseração. É sim de admiração, de devoção e de amor”.

Salgueiro assina “Homem Triste”, “Preso em Mim”, “Vi Nossa Senhora”, “Eutanásia dos Sentidos”, “Canção Fria”, “Na Praia da Solidão”, “Materno Lume”, “Cinzas”, que gravou no Fado Santa Luzia e define como o seu “fado fetiche”, e “Maria que Amaste Demais”, que canta numa música original de Jorge Fernando, autor que assina a letra e música de um dos temas que também gravou “Colo de Mãe”.

O fadista foi acompanhado em estúdio pelos músicos Sandro Costa, na guitarra portuguesa, Ivan Cardoso, na viola, e Eurico Machado, na viola baixo.

O fadista disse ter “gravado em estúdio, como se fosse ao vivo, sem repetições” e realçou o facto de a FMS lhe ter “respeitado totalmente” a vontade, com “toda a liberdade de criação e criativa”

Gonçalo Salgueiro apresenta o CD “Mãe” no dia 14 de outubro, pelas 16:00, na Livraria Ferin, em Lisboa.