Chega acusa Albuquerque de "corromper a autonomia"
O deputado do Chega, Francisco Gomes, acusou o presidente do Governo Regional (GR), Miguel Albuquerque, de ter "corrompido o verdadeiro propósito da autonomia", defendendo deixou de colocar os interesses dos madeirenses em primeiro lugar para servir, na sua perspectiva, "uma elite político-empresarial ligada ao poder".
Segundo o parlamentar, em nota enviada, esse modelo de governação explica a "incapacidade do executivo para responder aos principais problemas que afectam a Região, como a falta de habitação acessível, o agravamento das listas de espera no Serviço Regional de Saúde, a perda de qualidade de vida e a degradação da confiança dos cidadãos nas instituições públicas."
"Miguel Albuquerque transformou a autonomia numa ferramenta ao serviço do enriquecimento ilícito de uma certa casta política e das empresas associadas ao partido do governo. Enquanto essa elite enriquece, os madeirenses trabalham, pagam impostos e continuam sem conseguir comprar casa, marcar uma consulta ou construir uma vida com dignidade. É este o legado do ainda presidente do governo", diz o deputado da Assembleia da República.
Considera que o GR está concentrado em favorecer interesses instalados e alimentar o que diz serem redes de compadrio, em detrimento da resolução dos problemas concretos da população. "Este governo não governa – e nunca governou – para os madeirenses. Governa para promover negociatas que permitem a um punhado de empresas, que todos os madeirenses sabem quais são, continuar a ganhar dinheiro através de concursos públicos, adjudicações e contratos com o governo. É essa a prioridade do executivo", acrescenta.
Francisco Gomes sustentou ainda que o crescimento de determinados grupos económicos e o património acumulado por alguns responsáveis políticos merecem um escrutínio público rigoroso. "Quando vejo o crescimento de certos grupos empresariais e a fortuna acumulada por determinados políticos, é claro como água que não é fruto de trabalho honesto, mas de um sistema de esquemas que proliferam dentro da máquina do governo regional e que envolvem vários intervenientes."
O parlamentar rejeitou igualmente as observações que, a seu ver, são repetidamente registadas por Miguel Albuquerque sobre a relação entre o PSD e a Autonomia, defendendo que o património autonómico pertence ao povo madeirense.
O PSD não é dono da autonomia. A autonomia pertence exclusivamente ao povo madeirense. São os madeirenses que a sustentam com o seu trabalho e os seus impostos, os quais são usados e abusados para manter uma casta política e empresarial que vive à custa da população. Francisco Gomes, deputado na Assembleia da República
A concluir, defendeu que os últimos tempos demonstram que tem sido o seu partido a liderar a defesa dos interesses da Madeira junto da Assembleia da República, apontando como exemplo o novo mecanismo de continuidade territorial para a mobilidade aérea, cuja implementação está em curso. "Enquanto outros fazem discursos sobre autonomia, o Chega apresenta resultados. Foi o nosso trabalho na Assembleia da República que tornou possível um novo mecanismo de continuidade territorial que elimina injustiças históricas e garante vantagens concretas para os madeirenses", remata.