Mercados asiáticos são a meta da Portugal Fresh para os próximos dez anos
A Portugal Fresh, Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal, que participa pela décima vez consecutiva na feira Fruit Logistica de Berlim, acredita que o país deve apostar estrategicamente nos mercados asiáticos.
“Nos próximos 10 anos pretendemos valorizar, promover e investir mais em mercados com tendências de consumo mais interessantes que a Europa”, sublinhou, em declarações à agência Lusa, Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh, que a partir de quarta-feira vai estar na Fruit Logistica com 32 empresas representadas.
Além da instabilidade política e social que alguns países europeus atravessam, Gonçalo Santos Andrade refere também o fator demográfico. Em dez anos está previsto que o mercado asiático seja responsável por 56% das compras mundiais no setor das frutas e legumes, enquanto a Europa apenas 16%.
“Há outros continentes que vão crescer, tal como a tendência de consumo mais saudável. Prevemos que o continente asiático aumente a compra de frutas e legumes. Temos de ter uma estratégia muito assertiva, com a abertura de acordos bilaterais com alguns países como a China, Índia e Indonésia, três mercados que merecem a nossa atenção”, destacou.
Sobre o coranavírus, que teve o seu epicentro na China, onde regista o maior número de casos, o presidente da Portugal Fresh acredita que este é um desafio que será ultrapassado.
“São desafios. Estão sempre a aparecer algumas situações inesperadas, mas acreditamos que este não seja um problema, vai ser ultrapassado como foram outros”, frisou.
“É importante haver uma parceria entre o estado, as empresas, e partilhar esta visão de investimento em novos mercados, olhar para as novas tendências e para onde há crescimento, para que os produtos portugueses possam competir em igualdade de circunstâncias, pelo menos com os nossos parceiros da comunidade europeia”, apontou, dando o exemplo de uma missão empresarial a Bombaim, na Índia, levada a cabo no ano passado.
“Já se fizeram alguns ensaios de envio de contentores, principalmente peras e maças, que têm um pós-colheita bom (...) O mercado indiano tem alguns desafios como, por exemplo, manter a cadeia de frio. São desafios que requerem um grande investimento das empresas”, explicou, acrescentando que se trata de produtos perecíveis, não sendo fácil fazê-los chegar a mercados longínquos.
A Alemanha, maior economia da Europa, é o principal importador de frutas, legumes e flores da União Europeia e o quinto destino das exportações portuguesas destes produtos, depois de Espanha, França, Holanda e Reino Unido.
“O mercado alemão é de extrema importância. Em 2014 era o nono mercado, mas desde 2015, ano em que fomos país parceiro na Fruit Logistica, conseguimos que passasse para quinto mercado mais importante. Tem vindo a consolidar essa importância”, detalhou o presidente da Portugal Fresh, acrescentando que dos 1,5 mil milhões de euros de exportações do setor em 2018, mais de 100 milhões de euros tiveram a Alemanha como destino.
No stand da associação vão estar representadas 32 empresas, organizações e parceiros num espaço de 500 m2 em que o nome de Portugal tem “uma visibilidade bastante grande, além da qualidade e variedade dos produtos”.
A Portugal Fresh celebra, este ano, uma década de existência. Esta é também a décima vez consecutiva que participa na Fruit Logistica. Gonçalo Santos Andrade faz um balanço “extremamente positivo”.
“Conseguimos e soubemos aproveitar o bom trabalho que algumas empresas de peras e maças já iam fazendo antes de 2010 (...) Os números das exportações demonstram bem o dinamismo e a capacidade que a Portugal Fresh e os seus empresários tiveram”, realça, dando conta que, apesar de os números ainda não estarem fechados, apontam para um valor de 1,6 mil milhões de euros de exportações.
A Fruit Logistica começa na quarta-feira e termina na sexta. A ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque visitará as empresas portuguesas no primeiro dia da feira.