ASAE apela a empresas que se opõem a doação de artigos a aderir ao contributo social
O inspetor-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), Pedro Portugal Gaspar, apelou hoje às empresas que ainda se opõem à doação de artigos económicos apreendidos, a aderirem a esta forma de contributo social.
Em declarações à agência Lusa, Pedro Portugal Gaspar adiantou que no ano passado foram apreendidas 4,4 toneladas de bens alimentares, 72 embalagens e 532 unidades de produtos avaliados em 20.971 euros.
No ano passado foram também apreendidas 14.034 peças de vestuário, 250 unidas de spray, 42 brinquedos, 30 consolas, duas caldeiras/esquentadores e 44 têxteis avaliados em 240.667 euros.
Destes bens, 97 foram doados a 70 entidades beneficiárias de 47 concelhos de 18 distritos de Portugal continental, um aumento relativamente a 2015.
“Este ano queremos continuar a manter esta equidade, manter a política de doação. Para combater o desperdício queremos continuar a doar não só na área alimentar como na económica através do incentivo”, disse.
De acordo com o inspetor-geral da ASAE, o que se pretende é inverter uma situação de ilícito numa lógica de contributo social.
“Na área económica é que há mais dificuldades e ainda temos margem para atuar e progredir. Desejamos que as empresas que ainda se opõem em termos de doação possam ser progressivamente convencidas a aderir a este movimento. Passa por haver uma publicitação positiva daquelas que neste momento têm uma política amiga das doações”, sublinhou.
No que diz respeito à parte alimentar, Pedro Portugal Gaspar salienta que está sujeita a outros condicionantes.
“Nunca se pode pôr em causa a segurança alimentar. Aqui tem de ser visto de forma casuística e em função da urgência e de quase imediatismo da doação. É possível fazer um trabalho planificado, não há é tanto tempo do nosso lado para poder atuar em virtude do produto a doar”, disse.
Segundo o inspetor-geral, os bens alimentares carecem de perícia técnica e veterinária para assegurar que os bens podem ser doados e se não colocam em causa a saúde pública.
Pedro Gaspar Portugal explicou que dependendo da perícia, os bens podem ser doados para instituições de solidariedade ou para doação para animais e no limite de rações para animais.
“Na parte económica não se coloca esta questão, mas o grande desafio é as marcas não se oporem às doações confiando de facto que haja uma cadeia que assegure a descaracterização das marcas. O que está em causa é material apreendido resultante da contrafação e isso resulta de uma adulteração da marca que poderá ou não opor-se à doação”, disse.
No que diz respeito a estes bens, o responsável disse que muitas vezes conseguem colocá-los em circuito fechado como estabelecimentos prisionais e de saúde mental, sem necessidade de descaracterização da marca.
“Algumas das doações são previamente definidas pelos magistrados judiciais dos processos que determinam que tem de ser feita doação à entidade B ou C”, disse.
Na opinião do responsável, o balanço dos últimos anos em termos de doações “é positivo” e o objetivo futuro é “continuar numa lógica de equidade geográfica, de diversificação de utilizadores, de beneficiários e envolver cada vez mais as entidades económicas nessa política”.