Ministro brasileiro diz que Europa usa Amazónia para travar crescimento económico do país

Brasil /
23 Ago 2019 / 04:12 H.

O ministro da Casa Civil brasileiro, Onyx Lorenzoni, disse hoje que a Europa usa o discurso ambiental e a desflorestação da Amazónia para “confrontar os princípios capitalistas e impor barreiras ao crescimento do Brasil”.

De acordo com o jornal Estadão, o governante afirmou, em São Paulo, que o “Brasil é um país que cuida muito bem do seu meio ambiente” e que não necessita de “lições de ninguém”.

“Não podemos ser ingénuos. Os europeus usam a questão do ambiente por duas razões: a primeira, para confrontar os princípios capitalistas. Desde que caiu o Muro de Berlim, uma das vertentes para a qual a esquerda europeia migrou foi para a questão do meio ambiente. E segundo, impor barreiras ao crescimento e ao comércio com o Brasil, porque eles têm de proteger os seus produtores”, acrescentou Onyx Lorenzoni, citado pelo Estadão.

O ministro afirmou ainda que o continente europeu criou dificuldades ao país sul-americano nas últimas décadas devido à febre aftosa e que, como agora a doença está controlada, encontrou outra alternativa para atacar o Brasil.

“Por que (os europeus) têm tanto interesse em criar dificuldades ao Brasil? O Brasil é grande concorrente em ‘commodities’ [matérias-primas como] bens minerais, é o último grande repositório da humanidade em biodiversidade”, disse o chefe da Casa Civil, um dos cargos mais importantes no país.

Após ser confrontado por jornalistas com os números que mostram o aumento da desflorestação no país, Onyx defendeu o executivo brasileiro, declarando que o Brasil tem uma legislação ambiental rígida.

“Se me mostrarem um país europeu que tem um código florestal que de longe se assemelha ao do Brasil, aí eu posso reconhecer alguma razão nas críticas”, referiu, acrescentando: “Qual é o país que exige ao seu produtor rural que reserve 20%, 40% ou 80% da sua propriedade, sem indemnização, como reserva legal?”, questionou.

Dados do sistema de monitorização por satélite chamado Deter, que é mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicaram que em julho a desflorestação da Amazónia aumentou 278% em relação ao mesmo mês do ano passado.

O Inpe também indicou, noutro levantamento, que as queimadas no Brasil aumentaram 82% de janeiro a agosto deste ano, em comparação com o mesmo período de 2018.

Tendo em conta estes dados, a coordenação do Observatório do Clima, coligação de cerca de 50 organizações não-governamentais brasileiras em prol do ambiente, afirmou na quarta-feira que o “recorde de queimadas no país reflecte a irresponsabilidade do Presidente Jair Bolsonaro”.

“O fogo reflecte a irresponsabilidade do Presidente com o bioma (conjunto de ecossistemas) que é património de todos os brasileiros, com a saúde da população da Amazónia e com o clima do planeta, cujas alterações alimentam a destruição da floresta e são por ela alimentadas, num círculo vicioso”, declarou o grupo em comunicado.