Manifestantes pró-independência incendeiam parlamento em Papua e Papua Ocidental

19 Ago 2019 / 11:01 H.

Milhares de manifestantes pró-independência incendiaram hoje o edifício do parlamento local e organizaram outros tumultos nas províncias indonésias de Papua e Papua Ocidental, na sequência da detenção, no fim de semana, de estudantes universitários papuas independentistas.

O vice-governador da província de Papua Ocidental, Mohammad Lakotani, disse que a manifestação de hoje foi um protesto contra alegadas detenções e insultos a dezenas de estudantes papuas nas cidades de Surabaya e Malang, província de Java Oriental, feitas pelas forças de segurança.

Segundo o vice-governador, uma multidão enfurecida ateou fogo a pneus e ramos de árvores em Manikwari, capital da província, e há imagens de televisão que mostram chamas e fumo a sair do edifício do parlamento.

Os manifestantes também incendiaram alguns carros, além de bloquearem estradas, segundo mostram as televisões locais e vídeos de ativistas.

Vários milhares de manifestantes também organizaram protestos em Jayapura, a capital da província vizinha de Papua, onde milhares de pessoas percorreram a cidade de mota, pedindo a independência das duas províncias.

As autoridades recomendaram aos residentes não-papuas que permanecessem nas suas casas, não tendo ainda sido relatados confrontos, segundo disse a uma televisão o chefe da Polícia Nacional, Tito Karnavian.

Os protestos foram convocados após a prisão de 43 ativistas universitários, que na sexta-feira e no sábado foram cercados na sua residência na cidade de Surabaya, em Java, por nacionalistas indonésios por terem, alegadamente, profanado a bandeira daquele país asiático.

Os nacionalistas indonésios gritaram insultos racistas e ameaçaram os independentistas papuas e, no sábado, a polícia acabou por intervir disparando gás lacrimogéneo para os expulsar da residência, tendo-os detido durante algumas horas.

Pelo menos 95 pessoas morreram nas mãos das Forças de Segurança indonésias em Papua e Papua Ocidental entre 2010 e 2018, segundo a Amnistia Internacional, pelo que tanto os jornalistas como os observadores estrangeiros têm restringido o acesso a essas duas províncias.

As duas províncias Papua ocupam a metade ocidental da ilha da Nova Guiné, um território rico em recursos naturais e onde o movimento de independência ganhou força a partir de 1963, quando a Holanda se retirou da Indonésia, até então sua colónia.

A outra metade da Nova Guiné integra o estado independente da República de Papua Nova Guiné.

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