Trabalhos plagiados por alunos obrigaram Universidade da Madeira a tomar medidas há 10 anos

13 Set 2019 / 15:00 H.

Na edição de 13 de Setembro de 2009 o DIÁRIO revelou que a Universidade da Madeira estava a ultimar o processo de compra de um programa informático para detecção de fraudes nos trabalhos dos estudantes. O então reitor, Castanheira da Costa, assumia que a Internet agravou o fenómeno dos plágios de teses e outros trabalhos em cursos de licenciatura e pós-graduações e que a instituição decidira tomar medidas, com a aquisição do referido software.

Numa reportagem de duas páginas alguns professores da UMa explicavam como já tinham sido confrontados com o problema. “Já me entregaram trabalhos copiados de outros que estão na Internet. Alguns foram apenas partes, outros na íntegra. E isso aconteceu tanto ao nível das licenciaturas como nos mestrados”, descrevia Nelson Veríssimo.

Thierry Proença dos Santos revelava que, mesmo sem o software antifraude, havia erros de linguagem que denunciavam as cópias: “Alguns alunos recorrem, por vezes, ao plágio de excertos. Um parágrafo aqui, um parágrafo ali (este, até pode soar a brasileiro!), outro ‘acoli’ (este, cheira a inglês, via tradutor automático), depois é só coser, acrescentar eventualmente uns remendos e entregar a bonita manta ao professor”. “Há uns anos, quando a Internet estava no início e nós começámos a incentivar os alunos a usá-la nas suas pesquisas, tive um aluno que usou como fonte um trabalho de um miúdo de 9.º ano”, relatava o professor e geólogo Domingo Rodrigues.

Quem não se mostrava muito entusiasmado com a implementação do software antiplágio era o então presidente da Associação Académica da UMa, Luís Eduardo Nicolau: “Nem tudo o que se implementa, nem todas as inovações são positivas. E, neste assunto, entendo que não deve ser aplicada uma medida de cima para baixo, sem passar pelos conselhos pedagógicos dos colégios da Universidade”.

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