“Produzimos o melhor [peixe em aquacultura] mas não temos o melhor preço”

Maior parte da produção em aquacultura na Madeira destina-se à exportação

28 Jan 2020 / 14:46 H.

Apesar de a Madeira já ser auto-suficiente na quantidade de peixe que produz em aquacultura, a Região continua a importar grandes quantidades deste pescado obrigando à exportação da maior parte da produção regional.

A aparente incongruência é justificada por uma questão de escala que influência o preço, factor determinante na colocação do produto no mercado, considera José Ornelas, um dos industriais da pesca – IlhaPeixe – que esta manhã participou na reunião com o secretário regional de Mar e Pescas, Teófilo Cunha, e o director regional de Pescas, Rui Fernandes.

“Produzimos o melhor, mas não temos o melhor preço” refere o empresário, justificando o encarecimento do peixe produzido na mar da Região com a necessidade de importação da maioria dos produtos utilizados nesta produção, como a alimentação e outros.

“Podemos produzir o melhor produto mas em termos de valor não somos competitivos por que temos que importar tudo”. Daí a necessidade de recorrer à exportação. Nos últimos anos cerca de dois terços do peixe produzido na Madeira em aquacultura pela empresa IlhaPeixe foi para exportação. Por ano são cerca de 700 a 800 toneladas de peixe que a sociedade madeirense criada em 1992 e com início da actividade quatro anos depois, exporta para Portugal Continental, Espanha e outros países da Europa.

Embora reconheça que actualmente “já se consome muito mais peixe de aquacultura na Região” comparativamente a um passado ainda recente, o objectivo desta empresa é conseguir aumentar a quota de exportação. “Estamos a trabalhar para exportar para outros países” revelou José Ornelas.

Admite que o aumento da produção na Região poderá também fazer reduzir o volume deste tipo de peixe que é importado.

“É tudo uma questão de escala. Se produzirmos mais podemos baixar o custo e teremos melhor preço”, sustenta. Lembra contudo que hoje “o mercado é global”, daí a competitividade no sector. “Temos dificuldades muitas vezes é competir nesses mercados”, alegou, mas ainda assim “vamos fazer aquilo que é possível” tendo como principal trunfo “a melhor qualidade” do peixe de aquacultura madeirense, garantia que tem permitido escoar a maior parte da nossa produção fora das ilhas.

Relativamente aos problemas que os empresários do sector colocaram aos governantes com a tutela, José Ornelas apontou a necessidade de implementar melhorias no funcionamento das lotas e entrepostos frigoríficos.

Recorde-se que o sector das pescas registou um novo recorde em 2019, com as descargas em lota a ultrapassarem os 22 milhões de euros.