Director do Serviço de Cardiologia queixa-se da falta de recursos humanos

Drumond Freitas admitiu que “faltam pessoas para manter a qualidade e a execução das múltiplas áreas da cardiologia”

13 Set 2019 / 20:18 H.

O director do Serviço de Cardiologia do Serviço Regional de Saúde, António Drumond Borges, queixou-se hoje da falta de recursos humanos. Fê-lo na presença do secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, durante a cerimónia de abertura do I Congresso de Cardiologia da Madeira, que é organizado pelo Serviço de Cardiologia do SESARAM.

“Actualmente nós estamos numa fase em que temos excelentes condições técnicas”, reconheceu, contudo “estamos com poucos recursos humanos para aquilo que nós poderíamos e deveríamos fazer”, admitiu.

Apelou por isso que “sejam criadas as condições” dotando de mais “meios humanos” o serviço que dirige, por reconhecer que o desempenho nesta área “não está sendo feito de uma forma perfeitamente integral porque faltam pessoas para manter a qualidade e a execução das múltiplas áreas da cardiologia”, apontou.

Para ajudar a diluir a falta de profissionais, manifestou um desejo em jeito de apelo: “Os novos internos, os que estão em formação, voltem para a Região”, precisamente por que “são pessoas que fazem imensa falta”, sublinhou.

De resto, Drumond Freitas considerou este I Congresso “um marco histórico”, que espera “tenha ‘pernas para andar’”.

Secretário ‘respondeu’ com números que provam a evolução do Serviço Regional de Saúde

Na ‘resposta’, o secretário da Saúde apresentou um rol de números como “sinal evidente da evolução do serviço e do Serviço Regional de Saúde”. Destacou os “cerca de 26 mil procedimentos” realizados nos últimos 20 anos na área da Cardiologia, número “bastante interessante” e indicador que “a cardiologia está garantida na RAM”. Mas não apenas. Concluiu que a evolução na Saúde “tem sido evidente em todos os serviços” com destaque para os 17 serviços com acreditação clínica.

“Toda esta evolução do Serviço Regional de Saúde nos últimos 20 anos mostra aquilo que tem sido a aposta do Governo Regional da Madeira como prioridade número um: a Saúde. Embora muitos o queiram sempre contradizer, mesmo com desconhecimento de causa. Falar de saúde tem sido uma constante nesta RAM. Muitas vezes sem fundamentação e sem conhecimentos, esquecendo que esta mesma tem de ser respeitada, acarinhada e reconhecida”, atirou.

Reconheceu “temos os nossos problemas mas nunca com a dimensão de outros sistemas”, sustentou.

Apesar das vicissitudes “continuamos a construir um bom Serviço Regional de Saúde, acima de tudo com equidade, universalidade e generalidade de acesso ao fim destes 43 anos”, destacou Pedro Ramos.

Depois apresentou números gordos dos investimentos feitos por este Governo nas áreas que tutela. “20 milhões de euros nos últimos anos na Protecção Civil” e “2 mil milhões de euros para a Saúde em cinco anos”. “Pagamos dívidas mas desenvolvemos o Serviço Regional de Saúde” resultado de uma atitude que classificou de “certa, correcta e eficiente”

Destacou ainda a contratação de “1.261 profissionais” nos últimos cinco anos: “399 médicos até ao final deste ano, 468 enfermeiros, 308 assistentes operacionais, 64 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, 21 técnicos superiores de saúde”, disse.

Deixou também a garantia que “caminhamos para uma melhor diferenciação académica” ao assegurar que os três anos do ciclo básico do Mestrado Integrado de Medicina será uma realidade na Madeira.

Terminou com um pedido aos profissionais presentes. “Sejam exigentes, inovadores, empreendedores e humanos”.

A cerimónia de abertura contemplou a comemoração dos 20 anos da Unidade de Hemodinâmica do Hospital Dr. Nélio Mendonça.

Uma aposta que muitos consideram impensável concretizar na Região, já que o rácio para a construção deste laboratório era de um milhão a milhão e meio de habitantes, recordou o cardiologista Jorge Araújo. Segundo este médico, tal só possível pela persistência de alguns e influência política de outros.

O Congresso prossegue este sábado.