Morreu o autor da histórica fotografia ‘Homem do Tanque’ da praça Tiananmen

Ásia /
13 Set 2019 / 11:03 H.

O fotojornalista norte-americano Charlie Cole, autor da histórica fotografia do ‘Homem do Tanque’ da praça Tiananmen, morreu na semana passada em Bali, Indonésia, anunciou hoje o jornal independente South China Morning Post.

Charlie Cole, de 64 anos e residente em Bali há 15 anos, foi um dos repórteres de imagem que registaram a cena desde a varanda de um hotel em Pequim e a sua fotografia ganhou o prémio World Press Photo de 1989.

Na fotografia, que deu a volta ao mundo e se tornou uma das mais emblemáticas do século passado, aparece um homem a enfrentar uma coluna de tanques na avenida de Chang’An, como forma de protesto individual, depois de centenas de jovens morrerem naquela praça horas antes.

Em entrevista à agência de notícias Efe realizada há uma década, Cole indicou que tirou a foto “com uma Nikon e uma lente de 300 milímetros, de uma varanda distante, a cerca de 200 metros do acontecimento”, do quarto de Stuart Franklin, no oitavo andar do hotel.

Depois de as autoridades terem dispersado as pessoas que tinham regressado à praça naquela manhã, uma coluna de 25 tanques avançou pela avenida.

“Do nada, apareceu o jovem, com um casaco numa mão e uma bolsa na outra, e ficou em frente de um dos tanques. Não podia acreditar. Mas continuei a tirar convencido de que iam matá-lo. Para minha surpresa, o tanque parou”, explicou o fotógrafo.

Em junho passado cumpriram-se 30 anos do massacre de Tiananmen, um acontecimento que até hoje o Governo continua sem reconhecer, evitando responsabilidades, negando as evidências e criminalizando as vítimas da repressão que colocaram um fim às manifestações de estudantes.

Até aos dias de hoje, a identidade e o destino do “homem do tanque” ainda não estão claros e a imagem permanece censurada na China.

Nascido em Bonham (Texas, EUA), Cole formou-se em jornalismo na Universidade do Texas em Denton em 1978 e, graças à profissão militar do seu pai, o seu trabalho estava frequentemente ligado ao exército, cobrindo conflitos como a revolta do povo filipino em 1985 ou as manifestações de estudantes sul-coreanos em meados dos anos oitenta.

Após um acidente de carro, a sua perna ficou partida e acabou por mudar de profissão para fotografia comercial.