“Não precisamos de ter um cargo político para servir a comunidade”
A vereadora da Câmara Municipal da Ponta do Sol, antigo membro da Junta dos Canhas, defende que não deveria ser preciso existir uma lei de paridade para dar voz às mulheres. Tendo em conta a sua experiência, pede mais valorização a quem ocupa cargos nas autarquias de freguesia. Mirla Fernandes afirmou que não precisamos de ter um cargo político para servir a comunidade, pois podemos decidir não ficar indiferentes aos problemas das pessoas que vivem à nossa volta.
O I Encontro de Mulheres Autarcas de Freguesia da Madeira está a decorrer no Espaço Multiusos do Porto Moniz, com o debate ‘Mulheres no Poder Local: Legado, Presente e Futuro’ e é promovido pela ANAFRE. O evento contou com uma homenagem às antigas presidentes de Junta de Freguesia e pretende ser um espaço de reflexão e aprendizagem sobre a política no espaço público.
O debate conta com a participação de Raquel Azevedo Freitas, presidente da Junta de Freguesia de São Pedro Fins, na Maia; Mirla Fernandes, vereadora na Câmara Municipal da Ponta do Sol; e Letícia Almas, presidente da Junta de Freguesia da Quinta Grande.
Mirla Fernandes fez questão de apontar as dificuldades na conciliação das várias vertentes da vida pessoal e profissional. A autarca afirma que os filhos têm direito de ter a mãe presente, mas aponta que nem sempre é fácil conciliar tudo. “É preciso perceber em que condições é feita a entrada da mulher na vida política”, assume.
A participação silenciosa da família é muitas vezes ignorada, mas é fundamental para que tudo funcione. Por outro lado, fez questão de apontar que a maternidade não pode ser encarada como um obstáculo.
“Os cargos passam, as pessoas passam e o que realmente fica é o trabalho realizado”, indica.