Gaiado devolvido a tempo da Festa da Senhora da Piedade
Dois mil quilos do pescado apreendido foi novamente entregue aos pescadores
Os cerca de dois mil quilos de atum-gaiado seco apreendidos, esta segunda-feira, a bordo de uma embarcação de pesca artesanal foram devolvidos aos pescadores, permitindo que o pescado seja utilizado na tradicional Festa da Senhora da Piedade, que se realizada este fim-de-semana no Caniçal-
A confirmação foi dada ao DIÁRIO por Jacinto Silva, representante da Coopescamadeira – Cooperativa da Pesca do Arquipélago da Madeira, que se mostra satisfeito com o desfecho do caso, sobretudo pela proximidade da festa, marcada para este sábado.
"Sabemos que o destino daquele peixe era a Festa da Senhora da Piedade. Como deve perceber, toda a gente que vem a esta festa tenciona ter sempre uma sandes a bordo, de gaiado seco, algo que ninguém paga por isso, é oferecido. Por isso, consegue perceber a maneira que esse peixe ia fazer falta a bordo das embarcações", explicou.
O pescado tinha sido detectado pelo NRP Zaire durante a madrugada, numa acção de fiscalização dirigida a embarcações de pesca artesanal de salto e vara. Os cerca de 2.000 quilos de atum-gaiado seco não constavam dos registos apresentados à equipa de fiscalização.
Na sequência da detecção, a embarcação foi conduzida para o Porto do Caniçal, onde a Polícia Marítima realizou diligências e procedeu à pesagem do pescado na lota. O peso total apurado foi de 2.011 quilos.
2.011 quilos de atum-gaiado não declarado detectados no Caniçal
NRP Zaire detectou mais de duas toneladas de pescado que não constavam dos registos apresentados durante uma acção de fiscalização
Na altura, os factos ficaram em apreciação pelas autoridades competentes, tendo agora o pescado sido devolvido na totalidade, segundo Jacinto Silva.
"Eu tinha dito, há uns dias, que estava com esperanças de que houvesse consenso e de que as autoridades estivessem sensibilizadas para resolver esse problema antes de sábado", afirmou o representante dos pescadores.
Jacinto Silva sublinha ainda que a presença do gaiado é parte de uma tradição associada à festa. "É exactamente isso, trata-se de uma tradição e toda a gente que vem a esta festa vai naquela expectativa de embarcar na procissão e comer uma sandes de gaiado", afirmou.
Com a devolução do pescado, considera que agora estão reunidas todas as condições para que a celebração decorra normalmente. "A partir de agora, acho que está tudo em condições para que a festa seja feita da melhor forma e com alegria, porque esta é uma festa dos pescadores e tem uma tradição muito antiga". referiu.
O representante da Coopescamadeira diz ainda acreditar que a decisão terá sido bem recebida pelos pescadores e armadores envolvidos. "Ainda não tive oportunidade de conversar com eles, mas, com certeza, todos os pescadores, incluindo os armadores, ficaram satisfeitos com esta novidade", afirmou. "E eu também fico muito contente, enquanto representante dos pescadores", finalizou.