Quem limpa a Cidade?
Escrevo esta carta do leitor pois entendo que algo vai mal, muito mal. Falar de limpar a Cidade, logo nos vem à mente, os cantoneiros, hoje assistentes operacionais, os camiões de recolha e, não menos frequente, imagens de lixo mal-acondicionado, fora dos contentores ou em sítios de recolha mal dimensionados para a quantidade de lixo que aí é depositado. Para muitos, pouco se importam. Alguém vai recolher!
Esta é uma área importante e que muito qualifica a Cidade. É um indicador da qualidade de vida da mesma.
Mas o que me levou a escrever esta carta, nada tem a ver com isso.
Essa é uma realidade quotidiana e diretamente proporcional ao empenho que as respetivas autarquias dedicam ao tema. Umas mais do que outras, infelizmente. O que me surpreende e incomoda, são as constantes mensagens e conspurcação da Cidade por parte dos partidos políticos. Algumas permanecem no mesmo local, anos.
Não se compreende, em pleno século XXI, numa civilização dita evoluída, a Cidade ser constantemente bombardeada com mensagens de cariz político-partidário.
Até percebo a necessidade de, em determinados momentos, ser propício o lançamento de uma qualquer mensagem. A gestão política e pública é gerida diariamente e em determinados contextos, essas mensagens fazem todo o sentido e até podem ser oportunas e importantes.
Agora o que não se compreende, é ser a Cidade obrigada a limpar todas essas mensagens. Atenção, quando o pode fazer.
A legislação em vigor que regula este tema é caduca e desajustada dos tempos que vivemos. O conceito de poluidor pagador é já plenamente aceite por todos, exceto pelos partidos políticos.
Gastam largas centenas de milhares de euros em mensagens políticas; contudo, cabe à Cidade ter de as remover, e mais uma vez afirmo, quando o pode fazer.
Urge criar regras claras para regular esta matéria, sob pena de um agravamento da atual situação e da incapacidade daqueles que são eleitos para governar a nossa Cidade, serem capazes de prestar um bom serviço aos seus concidadãos e visitantes. Não por inação, mas por impedimento.
Com as atuais regras, ou perdem o mandato, ou à luz da população serão penalizados por não exercerem as suas funções de forma eficiente, quando infelizmente, nada podem fazer para alterar a situação.
Gosto da Democracia e da liberdade de expressão, agora, como em tudo na vida, são necessárias regras que disciplinem esta matéria. Outro grande problema! Cabe apenas aos partidos esse trabalho.
Nós cidadãos, estamos atentos e aguardamos.
Élvio Encarnação