Seguro agradece a Marcelo a Festa do Livro em Belém e pede às pessoas que "leiam, leiam, leiam"
O Presidente da República, António José Seguro, agradeceu hoje ao antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa, a ideia da Festa do Livro em Belém, iniciativa que manteve, pedindo às pessoas que leiam porque uma nação que lê "sabe escolher melhor".
António José Seguro abriu hoje a 9.ª edição da Festa do Livro em Belém, que decorre nos jardins do Palácio de Belém até domingo, um momento no qual esteve acompanhado do antigo chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, que criou esta iniciativa que Seguro decidiu manter.
"Quero distinguir o meu antecessor, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, porque a ideia é dele e é justo que se reconheça esta ideia, que é uma bela ideia que eu, desde logo na campanha eleitoral, disse que a iria continuar porque as boas ideias e as boas iniciativas, e foram executadas pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa durante 10 anos, merecem continuar", elogiou.
O Presidente da República agradeceu ao seu antecessor a ideia de "ter transformado o livro numa festa", confidenciando que, quando disse que ia manter esta iniciativa de Marcelo Rebelo de Sousa, uma "pessoa próxima" lhe perguntou porque ia continuar "uma coisa que é de outro Presidente".
"Eu sei que há muito essa cultura, a de quem vem de novo, começa de novo e, tudo o que está feito para trás, não presta. Eu não tenho essa ideia. Bem pelo contrário. Acho que este é um exemplo que deve fazer semente, que deve proliferar no país", disse.
Seguro deixou um apelo: "Leiam, leiam, leiam".
"É preciso ler porque uma nação que lê é uma nação mais feliz, é uma nação mais culta, é uma nação mais livre, é uma nação que sabe escolher melhor e, quando se escolhe melhor, somos todos mais felizes. E por isso esse apelo à leitura é muito importante", pediu.
O chefe de Estado subiu ao palco nos jardins do Palácio de Belém com um livro na mão e, no final do discurso, quis partilhar umas passagens da obra que o acompanhou nas semanas de férias ou, como disse, no período em "está desobrigado a ter que pôr um fato e uma gravata" e "pode ser dono dos seus" porque um "Presidente nunca tem férias".
"A Arte de Não Ter Sempre Razão", de Martin Desrosiers, é, para Seguro, "um livro que todos os opinadores deviam ler e assimilar antes de abrir a boca".
"Os gritos de alarme são estridentes porque o desafio é vital. Quando o diálogo político é entravado ao ponto de impedir qualquer troca digna desse nome está em causa não só a sua saúde, mas a própria sobrevivência das nossas democracias. Se todos permanecermos obstinadamente apegados às nossas certezas e se as clivagens políticas daí resultantes forem percebidas erradamente, mais do que com a razão, com abismos intransponíveis, o debate democrático transforma-se numa guerra de trincheiras sem saída", leu.
O Presidente da República continuou a ler para a plateia este livro que considerou ser "muito oportuno": "Que haja zaragata na cabana democrática é realmente a ideia, mas que essa zaragata se torne veementemente a ponto de ser irrazoável e improdutiva, eis o perigo real que nos ameaça".
Depois destas palavras - e de oferecer o livro a uma pessoa na plateia - Seguro seguiu, acompanhado por Marcelo e pela ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, para uma ronda pelos livreiros presentes nesta festa, durante a qual recebeu vários livros, pedidos de fotografias e manteve várias conversas.
O Presidente da República deixou guardados dois livros, para depois ir comprar, uma obra de poesia de Eugénio de Andrade e "O Século dos Imbecis", um romance do escritor português Valter Hugo Mãe.
Enquanto este discurso e esta visita decorria, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, falava ao país sobre as medidas para combater a crise.
Seguro não falou aos jornalistas à margem.