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Britânico torna-se primeiro estrangeiro elevado a segundo nível da hierarquia budista da Tailândia

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Um monge budista britânico tornou-se, aos 68 anos, o primeiro não-tailandês a ser elevado ao segundo nível mais alto da hierarquia budista da Tailândia.

"O meu pai dizia: sempre soubemos que ele faria algo estranho, mas não sabíamos exatamente o quê", contou à agência France-Presse o monge britânico, Shaun Chiverton, agora conhecido como Ajahn ("professor") Jayasaro.

Criado numa família laica na ilha de Wight, desde a adolescência Chiverton foi habitado por grandes questões existenciais.

"Uma delas era: qual é a melhor forma de viver a vida como ser humano?", explicou a partir de um centro de retiro perto de Banguecoque. "E a segunda: perante todo o sofrimento, injustiça e violência no mundo, poderia este ser melhor?"

Interessado pelo budismo, Jayasaro partiu para a Índia, antes de viajar pela região e instalar-se na Tailândia, onde se tornou monge. Durante muito tempo sentiu-se "uma espécie de marginal", até chegar a um mosteiro no nordeste do país, onde "todos partilhavam mais ou menos as mesmas ideias e aspirações".

O britânico juntou-se aos monges da floresta da tradição theravada, que levam uma vida austera baseada na disciplina, renúncia e meditação. Autor de vários livros em inglês e tailandês, conduz regularmente retiros espirituais, enquanto o seu canal no YouTube soma 100 mil seguidores.

A nacionalidade tailandesa foi-lhe concedida por decreto real em 2020 e já tinha recebido várias promoções reais antes da deste verão, quando foi elevado ao título de Somdet Phra Rachakhana, o segundo nível mais alto da hierarquia budista do reino, tornando-se um dos apenas 18 monges a deter tal título.

"Em muitos aspetos, não sou o candidato ideal", afirmou, comparando a sua vida retirada na floresta, "totalmente atípica", à de outros monges que dirigem grandes mosteiros.

Considera, no entanto, que a sua história pessoal lhe permite "relacionar os ensinamentos budistas tradicionais com o mundo em mudança em que vivemos".

Os seus ensinamentos sublinham a importância de levar uma vida virtuosa, desapegar-se dos bens materiais e das más práticas para desenvolver qualidades mais "nobres", como a benevolência e a compaixão. Reconheceu também "um certo grau de corrupção" no clero, após uma série de escândalos sexuais e financeiros.

Chiverton indicou que apesar de Buda ter vivido há 2.500 anos, os seus ensinamentos oferecem ferramentas "intemporais" para enfrentar os desafios da vida moderna. "As pessoas estão hoje extremamente stressadas. Enfrentamos uma epidemia de depressão e ansiedade. Mas estes estados mentais não são novos e existem formas de os gerir", afirmou.

O monge lamenta o crescimento de um "individualismo quase maníaco", que associa a problemas de saúde mental, sobretudo entre os jovens. "Dizer às crianças podem tornar-se tudo o que quiserem é, na realidade, muito injusto."

"Muitos acordam aos 30 ou 40 anos e percebem que não se tornarão aquilo que queriam ser", acrescentou. "E então, para onde se vai nesse momento?"

Questionado sobre como vê o seu próprio futuro Chiverton indicou entre risos "a resposta budista clássica seria: velhice, doença e morte".

O próximo passo será escrever uma série televisiva em inglês para o YouTube, centrada numa personagem comum da época do Buda, para permitir que outros beneficiem dos ensinamentos que moldaram a sua vida.

"Considero-me um ser humano incrivelmente afortunado", concluiu. "Tenho simplesmente uma vida feliz."