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A Guerra Mundo

Oposição russa no exílio junta-se para pedir voto contra Putin e a guerra

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Foto EPA

A oposição russa no exílio uniu-se para pedir um voto "contra Putin e a guerra" na Ucrânia, a uma semana das eleições legislativas, nas quais o partido do Kremlin procura revalidar a maioria constitucional.

"Vão votar, não deem o voto a esses ladrões e assassinos, votem contra a Rússia Unida. Isso significa votar contra [o Presidente russo Vladimir] Putin e a guerra", disse Yulia Navalnaya, viúva do falecido líder da oposição Alexey Navalny, num vídeo no YouTube.

Navalnaya anunciou um acordo com o ativista e comentador popular Maxim Kats para recomendar aos russos os candidatos em que votar, de modo a subtrair assentos ao partido Rússia Unida, de Putin - que controla mais de dois terços dos 450 lugares na Duma ou câmara dos deputados - no que é conhecido como o "voto inteligente".

No vídeo, afirma que a 20 de setembro "há uma verdadeira oportunidade de deixar candidatos do Rússia Unida que apoiam a guerra sem mandato", incentivando por isso à votação no domingo e, se possível, com boletim, uma vez que a oposição associa o voto eletrónico a fraude.

Apelando ao apoio de listas (250 lugares) para qualquer formação política que não seja o partido no poder, explicou que, na realidade, Navalnaya é "um voto de protesto" contra Putin, o sistema político e a guerra na Ucrânia.

Quanto às circunscrições (mais 250 lugares), Kats recomendou a votação nos candidatos do único partido pacifista, Yabloko, que foi excluído da corrida eleitoral por listas.

"Mas se não houver Yabloko, é preciso apoiar aqueles que têm mais hipóteses de vencer nessa circunscrição contra o Rússia Unida, mas que não apoiam a guerra ou, pelo menos, não publicamente", enfatizou.

"Estas são as eleições mais desprezíveis que já vi e já vi muitas (...), mas podemos prejudicar o partido da guerra", salientou.

Este ativista, muito popular entre os jovens, acredita que esta tática pode forçar o Kremlin a falsificar as eleições de tal forma que muitos russos compreendam que o sistema criado por Putin "é uma ficção" e que as autoridades atuais não têm legitimidade para continuar a governar.

"O país está numa situação tal devido à guerra, num buraco tal que não podemos perder a oportunidade de tentar", defendeu.

Nas listas partidárias, Kats adiantou que votará no Povo Novo, uma formação liberal criada com a aprovação do Kremlin que não apoia a guerra tão fervorosamente como os restantes partidos com representação parlamentar.

"Pelo menos não têm o Z [símbolo da campanha militar russa] gravado na testa", disse ele, recordando que nunca pedirá um voto "para aqueles que apoiam ativamente a campanha militar na Ucrânia", afirmou.

O Yabloko, o único partido de oposição legal na Rússia, recomendou aos eleitores que anulassem o boletim de voto nas circunscrições onde não há nenhum dos seus candidatos, com o slogan 'Pela paz e liberdade'.

Alguns opositores no exílio, como o campeão de xadrez Garry Kasparov, apelaram ao boicote às eleições, que consideram uma farsa.