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Fact Check Madeira

Estão a aumentar os casos de pessoas encontradas mortas em casa na Madeira?

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Duas pessoas foram encontradas mortas, no sábado, em diferentes residências do concelho de Santa Cruz. Primeiro, um homem de 65 anos, na zona da Cancela, no Caniço. Pouco depois, outro, de 70 anos, na Ribeira de Santa Cruz.

Em ambos os casos, os bombeiros foram chamados para proceder à abertura de porta e encontraram as vítimas já sem vida.

Duas ocorrências semelhantes, no mesmo concelho e com poucas horas de diferença, juntam-se a outras notícias recentes e podem criar a percepção de que são cada vez mais frequentes os casos de pessoas encontradas mortas nas suas habitações.

Encontrará essa percepção fundamento na realidade?

Para verificar se essa percepção encontra correspondência nos factos, recorremos ao arquivo do DIÁRIO e a notícias da imprensa regional, pesquisando várias expressões associadas a pessoas encontradas mortas em residências.

O levantamento não pretende corresponder ao número total de situações ocorridas. Nem todas serão notícia e a mesma realidade pode ser descrita de formas muito diferentes. Permite, contudo, comparar o que foi sendo noticiado ao longo dos anos.

E a primeira constatação é clara: este tipo de ocorrência está longe de ser novo.

Em 2010, por exemplo, encontramos várias notícias de pessoas encontradas mortas em casa, entre elas casos em Santo António, São Roque e Curral das Freiras. No ano seguinte repetem-se situações semelhantes no Funchal e em Câmara de Lobos.

Em 2012, há novamente uma concentração apreciável. Entre outros, foram encontrados mortos em casa um homem de 45 anos, no Caminho do Terço, outro no Areeiro, um homem de 59 anos, na Rua José Pedro Ornelas, e uma mulher de 31 anos.

O fenómeno mantém-se nos anos seguintes. Em 2014 surgem casos no Porto Santo, Santo António, São Martinho, Camacha e novamente Santo António. Em 2015, uma mulher de 78 anos, que vivia sozinha e não era vista há dias, foi encontrada morta no Bairro da Nazaré. Outros casos ocorreram nesse mesmo ano.

Os exemplos continuam por 2016, 2017, 2018, 2019 e anos seguintes.

Há mesmo períodos recentes com uma concentração particularmente elevada. Em 2022, as pesquisas devolvem numerosos casos no Funchal, Porto Santo, Camacha, Ribeira Brava e Caniçal, entre outros locais.

Em 2023 voltam a surgir várias situações, nomeadamente no Caniço, Câmara de Lobos, Gaula, Santo António e São Roque.

Já 2024 e 2025 apresentam menos ocorrências detectadas pelas mesmas pesquisas. Em 2026 verifica-se nova subida, com casos em Santa Maria Maior, Funchal, Camacha, Canhas, Santa Cruz e Ponta do Sol, a que se juntam agora os dois homens encontrados mortos no mesmo dia em Santa Cruz.

Há, portanto, mais notícias deste género em 2026 do que nos dois anos imediatamente anteriores. Mas isso não corresponde a uma tendência de crescimento continuado.

Pelo contrário, olhando para um período mais longo, encontramos oscilações significativas, com anos anteriores em que também foram noticiados numerosos casos e outros em que as ocorrências detectadas diminuíram.

Também não é possível equiparar automaticamente uma pessoa encontrada morta em casa a alguém que morreu sozinho. Em vários dos casos, o corpo foi encontrado por familiares e há situações em que a vítima nem sequer vivia só.

Assim, a sucessão de ocorrências registada neste ano, e em particular os dois casos do passado sábado, pode justificar a percepção de aumento. O arquivo não confirma, porém, que estejamos perante um fenómeno em crescimento progressivo.

Pelo exposto, a afirmação de que são cada vez mais as pessoas encontradas mortas em casa na Madeira é avaliada como falsa.

"São cada vez mais as pessoas encontradas mortas em casa" – Percepção suscitada pela repetição de notícias sobre casos similares