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PM irlandês desvaloriza apoio de Donald Trump à reunificação da Irlanda

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Foto EPA/Lusa

O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, desvalorizou hoje as declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, no domingo, em apoio da reunificação da Irlanda, classificando a reação como "exagerada".

"As palavras do Presidente não me surpreenderam. Ele acredita que a união é o caminho lógico de configuração da ilha", disse Micheál Martin aos jornalistas após um almoço com o Presidente norte-americano, que está de visita à Irlanda para participar num torneio de golfe.

Durante o almoço, Micheál Martin explicou a Donald Trump o Acordo de Sexta-Feira Santa de 1998 e os desenvolvimentos políticos desde então.

"Penso que se todos mantiverem a calma e a perspetiva, avançaremos a partir daí", afirmou.

A polémica, sobretudo no Reino Unido, surgiu após o apoio explícito de Donald Trump, no sábado, à unificação da República da Irlanda e da Irlanda do Norte, atualmente sob soberania britânica.

Hoje, Trump insistiu na sua posição, considerando ser "natural que estejam juntas" as duas irlandas.

Donald Trump defendeu no sábado que a reunificação da República da Irlanda com a Irlanda do Norte "vai acontecer eventualmente".

"Não quero causar problemas, mas adoraria vê-la unificada", afirmou Donald Trump num encontro com Micheál Martin, em Dublin.

Para o Presidente norte-americano a reunificação da Irlanda "seria uma coisa fantástica", que "vai acontecer eventualmente", mas, para isso acontecer, o Reino Unido também terá uma palavra a dizer.

A Irlanda do Norte esteve dividida entre duas comunidades: nacionalistas, na sua maioria católicos, que desejavam a união com o resto da Irlanda, e os unionistas, sobretudo protestantes, que queriam permanecer britânicos.

As tensões entre as duas fações arrastaram-se por três décadas de confrontos.

Em 1998, um acordo de paz pôs fim ao conflito, mas deixou o estatuto final da Irlanda do Norte indefinido (mantendo a Irlanda do Norte no Reino Unido, mas estabelecendo que o seu estatuto futuro pode ser decidido por referendo se a maioria assim o desejar).