O caminho português no PISA...
Os resultados mais recentes do PISA revelam uma tendência preocupante na educação portuguesa. Entre 2022 e 2025, os alunos de 15 anos perderam 12 pontos em Matemática e 15 em Leitura, aproximando-se dos níveis registados há cerca de duas décadas. Embora existam várias causas possíveis, como a pandemia, a falta de professores, as desigualdades sociais e a indisciplina, o texto destaca outro problema: a dificuldade crescente de manter a atenção e a concentração.
A tecnologia está cada vez mais presente na vida dos jovens e facilita o acesso à informação. Calculadoras, motores de busca, telemóveis e inteligência artificial permitem obter respostas rapidamente, mas não substituem a capacidade de pensar, compreender e aprender. O problema surge quando se confunde informação com conhecimento, pois este exige tempo, esforço, repetição, memória e concentração.
A memória é apresentada como essencial para o pensamento, uma vez que conhecimentos básicos são necessários para compreender textos, resolver problemas matemáticos e aprender Ciências. Ao mesmo tempo, a constante exposição a notificações, vídeos curtos e estímulos rápidos pode prejudicar a concentração. Os dados do PISA mostram que 34% dos alunos portugueses afirmaram distrair-se com dispositivos digitais durante as aulas de Matemática, existindo uma associação entre essa distração e piores resultados.
Não defendo a rejeição da tecnologia, mas sim o seu uso equilibrado. Uma escola moderna deve combinar ferramentas digitais com atividades fundamentais, como ler, escrever, calcular, memorizar, discutir, ouvir e resolver problemas. A tecnologia deve complementar a aprendizagem, e não substituí-la.
Assim, os resultados do PISA devem ser vistos como um alerta. É necessário recuperar o valor da atenção, da memória, do esforço e da leitura prolongada, preparando os alunos não apenas para encontrar respostas, mas sobretudo para pensar de forma autónoma e profunda.
José Augusto de Sousa Martins