Paris investiga autarcas por inação no combate a violência sexual contra crianças
A Procuradoria de Paris anunciou hoje a abertura de investigações contra o presidente da Câmara da cidade e a antecessora, na sequência de denúncias de inação no combate à violência sexual contra crianças em ambiente escolar.
"As denúncias foram recebidas e as investigações foram abertas", visando Emmanuel Grégoire e Anne Hidalgo declarou a procuradora Laure Beccuau à rádio France Inter.
"Temos várias denúncias (...) de diferentes origens que foram reunidas e, por isso, foram iniciadas as investigações", disse.
Desde o início de 2026, 132 monitores responsáveis pelas atividades organizadas nas escolas fora do horário das aulas foram suspensos pela Câmara Municipal de Paris, sendo que 52 destes por suspeita de violência sexual ou sexista.
Além disso, estão em curso mais de 200 inquéritos-crime que envolvem escolas do ensino básico e creches da capital francesa, tanto no meio escolar como nas atividades extracurriculares.
A procuradora esclareceu que foram recebidas, até ao momento, "três queixas" contra a administração municipal ou autoridades autárquicas.
A mais recente ocorreu na sexta-feira, quando cerca de 15 famílias, que denunciaram violência e abusos sexuais contra os filhos, anunciaram ter apresentado queixa contra a Câmara Municipal de Paris, o presidente da Câmara socialista, Emmanuel Grégoire, e a antecessora Anne Hidalgo (2014-2026). Grégoire foi vice-presidente da Câmara de Paris na administração de Hidalgo durante seis anos.
Reunidas em torno do coletivo "MeTooEcole", estas famílias pedem à justiça que investigue o que estas autoridades sabiam sobre as falhas nas atividades extracurriculares.
A acusação referiu os crimes de exposição deliberada ao perigo, omissão de assistência a pessoas em perigo e a falta de denúncia dos crimes cometidos contra crianças, algumas com idades compreendidas entre os 02 e os 04 anos.
"Embora o escândalo seja de âmbito nacional, Anne Hidalgo considera que estas investigações são extremamente desejáveis para compreender como é que crianças parisienses puderam ser entregues a pedocriminosos", declarou à agência de notícias France-Presse (AFP) o advogado da ex-autarca, Patrick Klugman.
Consultada pela AFP, a equipa de Emmanuel Grégoire não quis prestar declarações.
Grégoire e Hidalgo vão ser ouvidos na próxima semana por uma comissão de inquérito do Senado. Muitas famílias manifestaram indignação pela lentidão da justiça.
"São investigações necessariamente demoradas", admitiu Laure Beccuau, sublinhando a complexidade destes casos.