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"Ficou-nos a pena de não podermos colaborar" mais com na Venezuela

Foto Rui Silva/ASPRESS
Foto Rui Silva/ASPRESS

A Madeira chegou a ter uma equipa de bombeiros preparada para seguir para a Venezuela na sequência dos recentes sismos, numa operação que estava a ser articulada com a Região Autónoma dos Açores. A recordação foi feita por Micaela Freitas, secretária regional da Saúde, à margem da Festa Luso-Venezuelana, que decorre na Ribeira Brava.

“Preparámos, numa noite, em conjunto com a Região Autónoma dos Açores, duas equipas. Nós, Madeira, ficávamos encarregues da parte logística e os Açores da outra parte”, revelou a governante.

Segundo Micaela Freitas, a operação chegou a uma fase avançada de preparação. “Tínhamos a equipa preparada, os bombeiros fizeram tudo o que era necessário em termos de passaportes, foi tudo agilizado em poucos dias”, disse

A deslocação acabaria por não se concretizar, algo que a secretária regional admite ter deixado algum sentimento de frustração. “Ficou-nos a pena de não podermos colaborar, até porque acho que ter bombeiros com sotaque madeirense numa região que tem tantos madeirenses fazia toda a diferença”, manifestou a governante.

Ainda assim, sublinha que a impossibilidade de enviar a equipa não impede a Região de continuar a apoiar a Venezuela por outras vias. “Não é isso que impede que ajudemos de uma outra forma”, reagiu.

É também neste contexto que Micaela Freitas valoriza a componente solidária associada este ano à Festa Luso-Venezuelana, realizada poucos dias depois dos sismos: “Estamos todos a par dos últimos acontecimentos na Venezuela e acho muito importante a organização ter-se lembrado desse facto e ter associado uma componente de solidariedade à festa”

Uma solidariedade que, ressalva, não deve ser confundida com uma atitude de pena perante quem foi afectado. “Quando digo solidariedade não é no sentido de “coitados”, de pena. É no sentido de realmente ajudar um pouco dentro daquilo que podemos”

A governante recorda que a relação entre a Madeira e a Venezuela se construiu ao longo de décadas e entende que essa história comum cria também responsabilidades. “A Madeira e a Venezuela têm uma ligação de há muitos anos, de muitas décadas. Há que reconhecer isso e tudo o que pudermos ajudar, obviamente vamos ajudar”, referiu.

Questionada sobre a possibilidade de os sismos poderem provocar uma nova chegada de cidadãos provenientes da Venezuela à Região, Micaela Freitas diz não existirem, neste momento, indicações nesse sentido.

“Não nos parece que isso vá acontecer”, afirmou, lembrando os contactos entretanto estabelecidos no terreno e a deslocação à Venezuela do chefe de gabinete do presidente do Governo Regional nos primeiros dias após o sismo. Ainda assim, garante que a Madeira está preparada para responder caso seja necessário: “Obviamente, temos também de estar preparados para acolher os cidadãos que vierem”, garantiu

Uma capacidade de resposta que, segundo Micaela Freitas, resulta também da experiência acumulada nos últimos anos com a chegada de luso-descendentes provenientes da Venezuela.

A Saúde, lembra, teve um papel directo nesse processo. “Ao longo dos últimos anos, o Governo Regional fez uma grande aposta na recepção destas pessoas, dos luso-descendentes que quiseram voltar para a nossa Região. E a Saúde também deu resposta”, salientou ainda.

A governante destaca a articulação estabelecida entre as instituições regionais e o poder local para adaptar os serviços às novas necessidades, nomeadamente através do reforço dos centros de saúde.

Muitos dos cidadãos que chegaram à Madeira necessitavam já de acompanhamento médico continuado. Micaela Freitas aponta casos de pessoas com diabetes e doenças oncológicas que precisaram de prosseguir tratamentos na Região, garantindo que houve uma resposta do Governo Regional para assegurar esse acolhimento.

É precisamente essa experiência que leva a secretária regional a assegurar que, caso as consequências dos recentes sismos venham a determinar novas necessidades de acolhimento, a Madeira dispõe já de conhecimento e capacidade para responder.