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Comunidades Madeira

Equivalências, banca e burocracia continuam a marcar integração dos luso-venezuelanos

Problemas da Venezuela exigem respostas articuladas. Fez-se um minuto de silêncio em memória das vítimas do duplo sismo

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Fotos Hélder Santos

'Viver entre dois países: Direitos, Apoios e Soluções' deu, esta manhã, o pontapé de saída para a Festa Luso-Venezuelana, na Ribeira Brava, num momento de reflexão, partilha de ideias e procura de soluções.

A abrir a conferência, que incluiu um minuto de silêncio em memória das vítimas da tragédia na Venezuela, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava, Jorge Santos, afirmou que "sentimos que esta tragédia que atingiu a Venezuela também é nossa". Lembrando que também nasceu naquele país, hoje casa de milhares de madeirenses que ali rumaram em busca de uma vida melhor, reiterou que a comunidade portuguesa na Venezuela, bem como aquela que agora vive na Madeira, não está esquecida.

Numa das primeiras intervenções da manhã, Nancy Gomes, professora doutorada da UAL, abordou os desafios relacionados com a obtenção de equivalências académicas, sublinhando, no entanto, que começam a surgir mais modalidades neste âmbito. Com raízes ribeira-bravenses através do pai, a oradora, que recentemente lançou o livro 'Venezuela em Suspenso', recordou que, no passado, era mais fácil para a comunidade instalar-se e adaptar-se em Portugal e suas regiões autónomas.

Alexandre Gonçalves, International Private Banker do ABANCA, destacou a existência de uma linha de apoio à Venezuela e, recuando alguns anos, lembrou os problemas criados aos investidores e aos seus clientes pelo facto de a Venezuela ser considerada um país de risco. Neste contexto, salientou a importância da representação em Caracas, que facilita o contacto com as comunidades portuguesa e espanhola, bem como das ferramentas digitais, que têm desempenhado um papel muito relevante na evolução da banca internacional.

"A Venezuela por ser considerado um país de risco obriga a outras exigências. Há legislação internacional a que somos obrigados", apontou.

Também foi recordado, pelo moderador, o colapso de bancos portugueses, como o BANIF e o Banco Espírito Santo, que prejudicou muitas famílias e para o qual as soluções por parte do Estado continuam a tardar. "Foram grandes pancadas", assumiu mesmo o responsável do grupo financeiro.

Outra das convidadas, Susana Rodrigues, vice-presidente da VENECOM, recordou os propósitos da associação. "Quem emigra não transporta apenas documentos e uma identidade pessoal. Quem emigra transporta uma história" e procura uma vida melhor. No entanto, sublinhou, todo este processo de integração "exige tempo". Cada pessoa chega com expectativas diferentes, lembrou.

Ainda na primeira ronda de intervenções, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava, entidade que constitui um dos primeiros pontos de contacto para a criação de soluções, destacou a importância de ouvir. "Acompanhar, ouvir, receber e orientar para qual a instituição onde melhor poderão resolver os seus problemas".

Jorge Santos referiu a diversidade de pedidos que chegam ao município e considerou que, apesar da capacidade financeira e, em muitos casos, das elevadas qualificações dos luso-venezuelanos, a burocracia continua a ser um dos maiores entraves.

Recordar que a edição deste ano da Festa Luso-Venezuelana, que decorrerá até 9 de Agosto, na frente-mar da vila, assume uma forte componente solidária. A organização promove uma campanha de apoio às vítimas do duplo sismo que recentemente atingiu a Venezuela, uma tragédia que provocou milhares de mortos e deixou cerca de 25 mil pessoas desalojadas, apelando à solidariedade da comunidade e dos visitantes.