Antiga escola primária de Cuba em projecto europeu de combate às alterações climáticas
A antiga escola primária de Cuba, no distrito de Beja, foi transformada num "laboratório vivo" de inovação ambiental e sustentabilidade, integrada num projecto pioneiro na Europa com um investimento global de 2,7 milhões de euros.
No edifício, foram incorporadas "soluções baseadas na natureza" para a adaptação climática, regeneração urbana e gestão sustentável da água, indicou ontem à agência Lusa José Nunes, presidente da Make it Better - Associação para a Inovação e Economia Social, uma das entidades responsáveis pelo projeto.
Incluído no projeto europeu URWAN - Urban Regenerative Water Avant-garde[N], o edifício designa-se como Espaço C e vai ser apresentado esta sexta-feira, naquela vila alentejana.
"No fundo, este é um edifício comum, mas com uma série de sistemas que recuperam, armazenam, filtram e tratam a água por meios naturais", explicou o responsável.
A água armazenada é, depois, "reutilizada dentro do próprio edifício", nomeadamente "para a rega de novos espaços verdes" ou "para abastecer os autoclismos", especificou, realçando também a importância de valorizar o edifício da antiga escola pública.
De acordo com José Nunes, apesar da existência de soluções baseadas na natureza "em muitos espaços verdes [e] urbanos nacionais e europeus", este local é "pioneiro", uma vez que interliga todas estas componentes, o que "raramente se encontra".
"Este conjunto de soluções que estão aplicadas faz com que o edifício, em termos metafóricos, deixe de consumir água e passe a ser um produtor de água", afirmou.
Segundo a organização, em comunicado, o edifício inclui uma zona húmida construída para tratamento e reutilização de água, um jardim de chuva, sistemas de recolha e infiltração de águas pluviais, telhado e fachada verdes, áreas ajardinadas e outras infraestruturas "destinadas a melhorar o conforto térmico, promover a biodiversidade e reduzir o consumo de água potável".
"No jardim de chuva, a água que as plantas não usam e que não é evaporada volta para o sistema e não se perde por outros meios, não vai para uma estação de tratamento de água", ilustrou José Nunes.
O edifício é da responsabilidade da Make it Better, da Associação de Municípios do Alentejo Central (AMCAL) e da Câmara de Cuba.
O espaço vai "funcionar como um verdadeiro laboratório vivo", permitindo realizar atividades de educação ambiental, sensibilização para o uso eficiente da água e demonstração de boas práticas de sustentabilidade.
Além dos benefícios ambientais, o projeto permite também "pôr Cuba no mapa do mundo", afirmando-se "no contexto regional, nacional e europeu como uma experiência-piloto" que servirá de "demonstrador".
Questionado quanto à urgência da iniciativa, José Nunes lembrou que o Baixo Alentejo é um dos locais onde "as ondas de calor [são] violentas, intensas e frequentes" e, por isso, estas soluções implicam "um bem-estar para a comunidade".
"Estas medidas trazem um arrefecimento deste espaço urbano, ao mesmo tempo que introduzem biodiversidade, através nomeadamente da criação de novos 'habitats'", referiu.
Trata-se de "um edifício que devolve serviços que normalmente são os ecossistemas naturais que devolvem", resumiu Jose Nunes.
O investimento realizado, argumentou, "não é caro", uma vez que "a implementação de boa parte destas soluções não tem preço".
"No momento em que se desenham os edifícios, o seu custo é quase nulo quando comparado com a utilização de outras alternativas menos sustentáveis", salientou.
A sessão de apresentação do Espaço C está agendada para as 17:00, seguindo-se um momento cultural, às 18:30.
O projeto global URWAN é cofinanciado pelo Programa Interreg Euro-MED e reúne parceiros de vários países mediterrânicos.