DNOTICIAS.PT
Mundo

AMI prolonga missão de apoio psicológico a afectados pelos sismos na Venezuela

Foto AMI
Foto AMI

A Assistência Médica Internacional (AMI) vai prolongar por dois meses a ajuda psicológica à população de La Guaira, a região da Venezuela mais afetada pelo duplo sismo de 24 de junho, avançou hoje à Lusa o coordenador da missão.

"Considerando os números de atendimentos e também uma questão de responsabilidade e sustentabilidade do nosso atendimento foi aprovado internamente que vamos ficar mais dois meses neste caso, até 31 de outubro aqui na Venezuela", disse Daniel Viegas Rocha.

À Lusa, o coordenador da missão da AMI relatou que apesar de já terem passado mais de dois meses do duplo sismo e da tragédia estar agora cada vez mais longe da atenção dos 'media', o drama continua no dia-a-dia das pessoas, muitas delas a sentir-se desamparadas.

Explicou ainda que logo após o duplo sismo, a AMI enviou uma missão para a Venezuela, que iniciou de imediato uma fase exploratória e trabalhos de assistência psicológica às vítimas do terramoto.

Inicialmente, a missão, suportada integralmente pelo orçamento da organização, tinha como data prevista de atuação até ao final de agosto.

"Estamos quase a chegar às 1.500 intervenções, atendimentos, na parte de saúde psicológica, mais de saúde psicológica comunitária. Trabalhamos o trauma como uma problemática conjunta, porque estamos a falar de comunidades que passaram pelo mesmo trauma", disse.

Daniel Viegas Rocha afirmou também que a responsabilidade de continuar no terreno tem a ver com o facto de o atendimento na área de saúde psicológica não ser o mesmo que dar 'kits' de bens materiais, o que dificulta avançar de imediato com uma data.

"Poderia dizer que ficávamos até ao dia 31 e dar um kit X de diálogo, mas quando a equipa de psicólogos, está a fazer um acompanhamento contínuo nas comunidades de La Guaira, temos um vínculo com a comunidade que se traduz em confiança", disse, precisando que quando a AMI chegou ao terreno "não foi tão fácil estar junto das comunidades como é agora".

Portanto, prosseguiu, trata-se também de uma questão de "sustentabilidade e de responsabilidade" de "as comunidades saberem quando vamos sair e haver uma metodologia, uma estratégia de saída".

"Ou seja, não [podemos] simplesmente dizer que na semana que vem vamos embora, as pessoas devem estar preparadas e capacitadas", afirmou.

O coordenador referiu igualmente que a AMI está também a fazer workshops, para a capacitação da própria comunidade e para identificação de atores da comunidade que não foram tão afetados pelo que aconteceu, para que possam igualmente ajudar quem mais necessita dentro da própria comunidade.

Questionado sobre se o facto de ser português tem facilitado o trabalho da missão local da AMI, Daniel Viegas Rocha respondeu que sim.

"Sinto que a divulgação do nosso trabalho, enquanto uma organização portuguesa com equipa portuguesa, mas que trabalha com psicólogos venezuelanos que falam português, que isso tem sido uma grande ajuda", frisou.

Como exemplo, contou que no passado sábado um lusodescendente esteve em Naiguatá (La Guaira) à procura da AMI, porque a família em Portugal lhe tinha dito que a organização estava a apoiar a população local.

"Nós não discriminamos o atendimento entre portugueses e venezuelanos, obviamente que temos uma perceção que há muitos portugueses entre as pessoas ajudadas. E o facto de saberem que é uma organização portuguesa ajuda muito. As pessoas sentem uma confiança por ter uma organização internacional presente no terreno e muitas pessoas conhecem o trabalho da AMI", afirmou.

O duplo sismo de 24 de junho causou danos graves em infraestruturas, feridos e vítimas mortais em sete estados da Venezuela, Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o mais afetado.

Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.509 pessoas morreram e 226.696 feridos foram assistidos nos hospitais venezuelanos depois dos sismos.

Entre as vítimas mortais, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.

Pelo menos 190 edifícios colapsaram e as autoridades inspecionaram 60.785 habitações, das quais 11.001 foram consideradas de "alto risco".

Cerca de 25.240 casas estão inabitáveis, tendo já sido removidas 600.790 toneladas de escombros.