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Falta vitamina D

A ignorância generalizou-se e as redes de contactos tornaram-se falsamente mais importante

Estamos em pleno mês de agosto. O mês de férias por excelência. Mês de praia, de aproveitar o sol e ajudar o corpo a produzir a vitamina D, que por incrível que pareça, em terra de sol e de várias horas de sol disponível, muitos de nós apresentamos deficiência desta vitamina tão importante para manter os nossos ossos fortes.

Se para uns, mês de férias é mês onde a política passa ao lado porque a malta quer divertir-se e não têm paciência para aturar desvaneios, para outros, a vida está difícil e as complicações da vida pessoal fazem não ter tempo, nem disponibilidade mental, para se preocupar com as grandes questões cá da terra. A vida corre e, para alguns, as férias são usadas para “pôr assuntos em dia”, obrigando-os a retomar a vida profissional sem o devido descanso.

Por todas estas razões, o mês de agosto é, por vezes, usado para tomar decisões políticas que se desejam evitar grande alarido.

Para nós, mês de agosto é mês da Nossa Senhora do Monte e mês em que se celebra o dia da cidade do Funchal que tem uma importância considerável na nossa Região, atendendo ao facto que é a localidade onde está concentrada a maior parte da população da Madeira.

A malta sempre tem curiosidade para saber quais as trincas que uns e outros mandam entre si. Mas este ano tudo isto foi ofuscado com a publicação em Diário da República da nova Direção Regional da Saúde e da Longevidade, que determina a fusão de direções regionais e “prepara a instalação de um hub de Investigação e Tecnologia para a Longevidade no futuro Hospital Central”. Bonito nome, sim senhor.

Como muitas pessoas, ainda não percebi qual a mais-valia da criação da nova Direção Regional. As perguntas que mais foram feitas esta semana foram: para quê esta nova Direção Regional? Para mais tachos? E para quem vão os tachos?

A que ponto chegou a descredibilidade política…

Também não se percebe porque não foi mais amplamente explicada a alteração orgânica. A confiança política é fundamental para credibilizar as decisões que se tomam e a confiança é um sentimento que depois de quebrado torna-se muito difícil de recuperar.

Por tudo o que fomos vivendo ao longo do tempo e as dúvidas e acusações sobre a legitimidade de algumas decisões políticas tomadas no passado recente, é normal que os cidadãos desconfiem cada vez mais da atuação dos governos e das instituições, dos seus governantes e dos políticos em geral.

Na verdade, poucos acreditam que a nova estrutura criada vá dar resposta aos problemas da saúde da nossa terra. Os problemas não se resolvem com alterações orgânicas apesar da génese das alterações orgânicas visarem melhorar a organização dos serviços para serem mais eficientes e eficazes. Mas, definitivamente alterações orgânicas não resolvem problemas estruturais, nem problemas de fundo. Muito menos na área da saúde.

A nossa população está cada vez mais envelhecida e aumentam o número de pessoas que necessitam de apoio médico mais presente para a sua recuperação. Alterações na sociedade de falta de suporte familiar já não conseguem dar resposta aos apoios necessários para a recuperação com qualidade de vida.

A necessidade de estar no mercado de trabalho de todos os elementos familiares para garantir a subsistência das famílias, fazem-nas ter problemas acrescidos para terem os seus familiares em casa durante a sua recuperação.

Daí que a maioria das pessoas, quer por necessidades pessoais de tratamentos médicos, quer por dificuldades de assistência a familiares, simplesmente não acreditam na “boa vontade” com a criação da nova direção regional e associam a sua criação à necessidade de preenchimento de “tachos”.

A questão que agora se coloca é quem vai para que cargo. E voltamos a enguiçar o sistema. A este propósito lembrei-me da frase proferida por David Marçal aquando de uma entrevista sobre a publicação do seu livro em que é coautor com Carlos Fiolhais “A Ciência e os seus inimigos” em que afirmou que “Os mais perigosos inimigos da ciência são os ignorantes com poder”.

Nos tempos atuais em que o mérito pouco vale, a ignorância generalizou-se e as redes de contactos tornaram-se falsamente mais importantes, onde o rigor científico é, algumas vezes, substituído por interesses financeiros, ego ou ideologia, inverteram-se valores que vão custar muito caro à nossa sociedade.

Valha-nos o sol que ainda é de graça e que nos permite obter a vitamina D.