Quem com ferro mata com ferro morre
Este ditado antigo, traduz, como se compreende, que o mal que uma pessoa faça à outra e, sobretudo, o modo como o faz, pode receber da mesma maneira.
E há dias já vimos pela TV, - lá no continente - que se a polícia não protegesse a condenada na sua ida do tribunal até o carro que a levaria para a prisão, a pequena multidão que ali estava, profundamente indignada, talvez fosse capaz de fazer justiça pelas suas próprias mãos.
E isto não foi a primeira vez que aconteceu e, sinceramente, por vezes, a perplexidade que ficamos face a determinadas decisões judiciais, não nos custa admitir que não tardará o dia em que as pessoas nem à polícia comunicarão certas barbaridades cometidas e colocarão em prática o tal provérbio antigo de quem com ferro mata, com ferro morre.
Esta avalanche de violência que se nota por todo o País, algum dia vai ter de parar ou diminuir consideravelmente. Se são as Leis que estão mal, vão ter que ser revistas, se são as interpretações da Lei a serem mal feitas, terão de ser reavaliadas, ou não vamos estar longe do dia em que se vai achar natural a justiça ser feita de acordo com provérbio referido.
Ou pelas próprias vítimas, se, depois, puderem, ou por aqueles que delas são próximos. E pode chegar mesmo um “cheirinho “aos imbecis que defendem que as prisões têm de ser, digamos, lugares de “lazer.”
Nem oito, nem oitenta.
Somos do tempo em que ouvíamos dizer que as prisões eram quase “corredores da morte”, com condições sub-humanas, práticas violentas, alimentações deficientes, dureza ao extremo, o que, a confirmar-se, não estava certo, era profundamente condenável, mas daí a serem “pequenos paraísos” onde criminosos passam melhor lá dentro, do que as suas vítimas ou seus familiares cá fora, está errado e é tão condenável quanto era naquele tempo.
Um indivíduo não deve sair morto da prisão, mas também não pode sair com saudades de lá voltar, independentemente do tipo de crime que cometeu.
E por aquilo que diariamente vamos vendo ou ouvindo, ficamos com a sensação de que há indivíduos pura e simplesmente se marimbando para a polícia, para a justiça no seu todo, para as possíveis consequências dos seus actos, ou seja, para as condenações que possam ter.
E isto é grave e extremamente perigoso para a comunidade. Se não houver um “travão” não restam dúvidas de que, qualquer dia, vão ser presas pessoas boas, incapazes de fazer mal a alguém, mas que num momento de natural exaltação, vão perder a cabeça e dizer ao ladrão, ao agressor ou ao criminoso que quem vai para a prisão são eles e fazem a justiça pelas suas próprias mãos, mandando o delinquente para o mesmo lugar para onde enviou a sua vítima.
E acreditem que a maioria da população estará do seu lado.
Esta “lengalenga “das penas suspensas, de mandar o prevaricador para casa para se apresentar todos os dias na polícia, ir para prisão domiciliária, andar com “argola” nos tornozelos e poder fazer a sua vida normal e outras punições)?) afins, começam já a não cair muito bem nem só dos que foram vítimas como na sociedade em geral.
A justificação é que não temos cadeias para albergar tantos delinquentes.
Claro, é como um hotel, se tiver boa cama, boa comida, momentos de lazer, o que menos lhe faltará serão clientes.
Entendam como quiserem.
Juvenal Pereira