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A noite estava quente, mas a Cerimónia de Abertura foi apenas 'morna'

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A herança histórica da 'cidade dos dois mares' inspirou hoje uma Cerimónia de Abertura em que o Mediterrâneo desempenhou inevitavelmente um papel central, num espetáculo de luz e sombras que assinalou oficialmente o início de Taranto2026.

'Desenhada' por Angelo Bonello e Francesco Conticello, a 'quente' mas pouco entusiasmante Cerimónia de Abertura de Taranto2026 celebrou a transformação da identidade mediterrânica, numa passagem do mito à modernidade que começou demasiado 'parada', com um assobio ao presidente italiano, Sergio Mattarella, e a interpretação do hino nacional.

Foi então que um drone desceu progressivamente dos céus da 'cidade dos dois mares' para encontrar um jovem, responsável por encarnar "O Mito torna-se Futuro", que percorreu com a sua bicicleta de BMX os pontos mais emblemáticos de Taranto até chegar ao Estádio Iacovone.

O miúdo entrou no recinto acrobaticamente, protagonizando uma série de piruetas acompanhadas de uma explosão sonora, com a música a mudar bruscamente e o estádio a mergulhar na escuridão.

Numa noite sufocante na cidade do sul de Itália, figuras emergiram da obscuridade, iluminadas apenas pelas tochas que transportavam e que revelavam as suas vestimentas de exploradores, símbolo de uma memória esquecida.

As lanternas marcavam o ritmo da ação, com uma coreografia cada vez mais frenética a envolver o jovem, que descobriu uma ânfora antiga, erguendo-a no ar qual campeão de uns Jogos imaginários.

Neste piscar de olho à História, um gigante 'insuflou-se' diante dos olhos dos espetadores; era ele o Atleta de Taranto, o famoso campeão da Grécia Antiga que viveu por volta do século V a.c nesta cidade.

A sua presença 'encheu' o estádio, antes de uma 'multidão' de drones invadir os céus para desenhar símbolos e figuras da Antiguidade Clássica, mas também o 'logo' de Taranto2026, que marcou finalmente o início do desfile dos países.

Encabeçado, como tradicionalmente, pela Grécia, e encerrado pela muito celebrada Itália, o país organizador da 20.ª edição dos Jogos do Mediterrâneo, o desfile dos atletas demonstrou a animosidade dos adeptos locais em relação aos franceses e apresentou uma entusiasmada Missão portuguesa.

Liderada pelos porta-estandartes Maria Inês Barros e Leonardo Anastácio, a delegação lusa fez-se representar por 26 atletas e 32 oficiais, um número explicado pelo sobrecarregado calendário de sábado.

Após a entrada da bandeira dos Jogos do Mediterrâneo, tiveram lugar os discursos institucionais, prenúncio de uma segunda parte da cerimónia que foi uma homenagem ao mar, o ponto de união destes 26 povos.

O estádio Iacovone, visivelmente finalizado à pressa -- ainda há pó por todo o lado e falta de tudo um pouco naquele que será também o cenário de jogos de futebol -, 'mergulhou', então, num profundo azul, com água a 'nascer' no palco para uma coreografia épica.

O exército de bailarinos desertou, sendo substituído por um solitário, que dançava enquanto raios laser desenhavam no relvado um mapa do Mediterrâneo e no céu flutuava um golfinho, o símbolo de Taranto.

Houve ainda tempo para uma convidada especial, a cantora italiana Serena Brancale, entrar em cena, para interpretar um 'medley' demasiado longo das suas melhores canções.

Quando Brancale se calou, o espetáculo acabou sem qualquer apoteose, com uma voz anónima nos altifalantes do estádio a declarar oficialmente abertos os Jogos do Mediterrâneo Taranto2026.