Governo diz que tem diligenciado para garantir abastecimento de gás natural à Madeira
O Governo da República assegurou hoje que tem feito todas as diligências para garantir o abastecimento de gás natural à Madeira, através dos serviços mínimos, durante a greve dos trabalhadores da REN convocada de domingo a terça-feira.
"Estamos, desde a primeira hora, em contacto permanente com a REN e sabemos que está a ser feito tudo o que é possível para acautelar a segurança do abastecimento: foram negociados serviços mínimos entre a REN e a comissão de trabalhadores para os dias 23, 24 e 25 de agosto", diz o gabinete da ministra do Ambiente e Energia, numa resposta enviada à agência Lusa.
O gabinete de Maria da Graça Carvalho acrescenta que "foram antecipados os fornecimentos, dentro das limitações da capacidade de armazenagem da Madeira e das disponibilidades da REN".
A tutela declara respeitar o direito à greve dos trabalhadores, desejando que seja possível alcançarem rapidamente "um acordo com a empresa, através de uma solução justa para todos".
"Embora a situação nos preocupe, temos a certeza de que nenhum trabalhador quererá contribuir para falhas de abastecimento no seu país", lê-se ainda na nota na qual indica estar "disponível tanto para a REN como para o Governo Regional, para tudo o que for necessário, se for necessário".
O executivo madeirense (PSD/CDS-PP) liderado por Miguel Albuquerque, escreveu à ministra, através do secretário regional da Economia, José Manuel Rodrigues, para solicitar que sejam adotadas medidas para assegurar o abastecimento de gás natural a esta região autónoma durante a greve dos trabalhadores da REN Atlântico.
Na missiva, José Manuel Rodrigues alertou a ministra para "os eventuais impactos da paralisação dos trabalhadores responsáveis pela operação do terminal de gás natural liquefeito (GNL) de Sines no fornecimento à Madeira".
O governante madeirense destacou que o gás natural é "essencial ao funcionamento da Central Térmica da Vitória (CTV3)", unidade que, segundo a tutela regional da Economia, representa cerca de "35% da capacidade de produção de energia de fonte térmica na região".
Segundo José Manuel Rodrigues, "qualquer perturbação" no abastecimento durante o período de greve pode comprometer a capacidade de produção da central e ter consequências na "segurança e fiabilidade do fornecimento de eletricidade à população e às atividades económicas da Madeira".
O secretário regional pediu ao Ministério do Ambiente e Energia "a implementação e requisição dos serviços mínimos" considerados indispensáveis à manutenção do fornecimento de gás natural à região entre 23 e 25 de agosto.
Também sustentou que "o abastecimento deve ser tratado como um serviço essencial, invocando a necessidade de preservar a continuidade, estabilidade e segurança do sistema elétrico madeirense, bem como o princípio da continuidade territorial".
Os trabalhadores da REN Atlântico, responsáveis pela operação do terminal de GNL de Sines, vão cumprir uma greve de três dias para exigir um regime de pré-reforma que compense o desgaste associado ao trabalho por turnos.
A paralisação foi convocada pelo sindicato SITE Sul e pela federação Fiequimetal e integra um processo reivindicativo que, de acordo com as estruturas representativas, decorre desde 2012.