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Explicador Madeira

Viver com psoríase

Psoríase não é contagiosa e pode afectar mais do que a pele. É uma doença crónica que provoca lesões e inflamação, mas também pode atingir as articulações. Saiba reconhecer os sintomas, os factores que podem agravar a doença e quais os tratamentos disponíveis

Manchas avermelhadas, pele seca e descamativa e comichão são alguns dos sinais mais associados à psoríase. Apesar de ser uma doença relativamente conhecida, ainda existem dúvidas e preconceitos em torno desta condição, nomeadamente a ideia de que pode ser transmitida através do contacto físico. A realidade é diferente: a psoríase não é contagiosa e não resulta de falta de higiene.

Trata-se de uma doença inflamatória crónica que pode acompanhar uma pessoa durante toda a vida, embora existam tratamentos capazes de controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida.

O que é a psoríase?

A psoríase é uma doença inflamatória crónica relacionada com uma alteração do funcionamento do sistema imunitário. Esta resposta provoca uma renovação demasiado rápida das células da pele, levando à acumulação de células à superfície e ao aparecimento das características lesões da doença. A psoríase pode surgir em qualquer idade e apresenta períodos em que os sintomas se agravam, alternados com fases em que estão mais controlados.

A doença não é contagiosa. Ou seja, uma pessoa com psoríase não transmite a condição através de um abraço, de um aperto de mão, de um beijo ou da partilha de objectos.

Como se manifesta?

A forma mais conhecida da doença é a psoríase em placas. Caracteriza-se pelo aparecimento de áreas da pele avermelhadas, espessas e cobertas por escamas. As lesões podem provocar comichão, secura, dor ou desconforto e surgem frequentemente nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo e outras zonas do corpo. Também podem afectar as unhas.

A intensidade e extensão das lesões variam bastante de pessoa para pessoa. Em alguns casos, a doença manifesta-se através de pequenas áreas localizadas, enquanto noutros pode atingir uma parte significativa da superfície corporal.

Existem diferentes tipos de psoríase?

Sim. Embora a psoríase em placas seja a forma mais comum, existem outras manifestações da doença.

Entre elas encontram-se a psoríase gutata, que se caracteriza pelo aparecimento de pequenas lesões espalhadas pelo corpo, e formas que afectam zonas específicas, como as pregas da pele. Existem ainda formas menos frequentes, como a psoríase pustulosa e a eritrodérmica, que podem ser mais graves e requerer avaliação médica urgente.

Por isso, o diagnóstico e a avaliação da gravidade devem ser feitos por um profissional de saúde.

O que pode desencadear ou agravar uma crise?

A psoríase tem uma componente genética e imunológica, mas determinados factores podem contribuir para o aparecimento ou agravamento dos sintomas. Entre os factores associados encontram-se o stress, algumas infecções, traumatismos ou lesões da pele, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e o excesso de peso. Alguns medicamentos também podem desencadear ou agravar manifestações da doença.

No entanto, os factores desencadeantes não são iguais para todas as pessoas. Aquilo que provoca uma crise num doente pode não ter o mesmo efeito noutro.

A psoríase afeta apenas a pele?

Não necessariamente. Uma das complicações associadas à doença é a artrite psoriática, uma forma de inflamação das articulações que pode surgir em pessoas com psoríase.

Dor, inchaço e rigidez das articulações, sobretudo quando estes sintomas são persistentes, devem ser valorizados. O diagnóstico e tratamento precoces da artrite psoriática são importantes para reduzir o risco de danos articulares.

A própria psoríase também pode ter impacto significativo na saúde mental e na qualidade de vida, sobretudo quando as lesões são extensas ou visíveis.

Como é feito o diagnóstico?

Na maioria dos casos, o diagnóstico é realizado através da observação da pele, do couro cabeludo e das unhas. Em situações específicas, pode ser necessária uma biópsia, ou seja, a recolha de uma pequena amostra de pele para análise.

Não existe um único teste que permita diagnosticar todos os casos de psoríase. Por isso, perante alterações persistentes ou suspeitas na pele, é importante procurar avaliação médica.

Existe tratamento?

Embora actualmente não exista uma cura definitiva para a psoríase, existem várias opções terapêuticas capazes de controlar a doença. O tratamento escolhido depende de factores como a extensão e gravidade da psoríase, a localização das lesões, a idade, outras doenças existentes e as características de cada doente.

Podem ser utilizados tratamentos aplicados directamente na pele, fototerapia e medicamentos que actuam em todo o organismo. Nos casos em que a doença é mais grave ou não responde adequadamente às restantes opções, existem também terapêuticas biológicas. Em Portugal existem centros autorizados para a prescrição e acompanhamento de medicamentos biológicos destinados, entre outras doenças, à psoríase em placas.

A psoríase desaparece?

A doença é crónica, pelo que pode alternar entre períodos de maior actividade e fases de remissão. O facto de os sintomas desaparecerem durante algum tempo não significa necessariamente que a doença tenha sido curada. O objectivo do tratamento é controlar a inflamação, reduzir ou eliminar as lesões, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida.

Por isso, mesmo quando os sintomas estão controlados, é importante manter o acompanhamento médico e não interromper a terapêutica por iniciativa própria.

Quando procurar ajuda?

Alterações persistentes na pele, sobretudo quando acompanhadas por comichão, dor, descamação ou lesões que não desaparecem, devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Quem já tem diagnóstico de psoríase deve manter o acompanhamento médico e informar o profissional de saúde caso surjam novos sintomas, particularmente dores, inchaço ou rigidez nas articulações.