Programa Renda Reduzida

Tal como publicado nesta página, no dia 27/07 e a 10/08, tenho também inscrição no Programa RENDA REDUZIDA desde 2023, somos também uma família monoparental – mãe e dois filhos, que um dia fomos uma família de quatro, tivemos uma boa casa, cada um com o seu quarto, mas pelas circunstâncias da vida, um dia tudo mudou e tivemos os três de nos adaptar, com muitas lágrimas e dor, a um quarto, a uma casa de banho, sala e cozinha. O meu filho adolescente teve de partilhar a cama comigo, mas aos poucos fomos aceitando e dávamos até Graças a Deus, apesar das dificuldades, porque tínhamos o nosso canto e a nossa Paz, e acima de tudo, estávamos juntos! Ao fim de 6 anos, o senhorio rescindiu o Contrato de Arrendamento, pois pretendia colocar o imóvel à venda – nota: a renda sempre foi paga atempadamente, sem qualquer falha e entreguei o apartamento tal como o recebi, impecável!

Inicialmente, a Candidatura ao referido Programa era para um apartamento de tipologia T2, o que para nós seria mais do que suficiente, estando três a viver num T1, os meus filhos podiam perfeitamente, dividir um quarto, mas não! Segundo informaram, a LEI não permite que 2 pessoas adolescentes – mais de 15 anos, partilhem um quarto, têm de ter um quarto para cada um! Para mim e para eles, seria mais que perfeito, mas eu não peço tanto! O que consigo perceber, é uma forma de justificarem o ‘NÃO / INDEFERIDO’. Entreguei todo o tipo de documentos que me pediram, escrevi uma carta de informação pessoal dirigida ao Sr. Eng.º Pedro Fino, solicitei uma audiência com o Dr. Leonel Silva no início de Abril, passados 5 meses não tive qualquer resposta…

Trabalho desde os meus 17 anos, não tenho telemóvel, nem carro topo de gama, não ando em festas, os poucos convívios são passados, normalmente em casa, com a família e não, não consigo poupar para comprar casa, muito menos agora, muito menos aos cinquenta anos, não com um salário baixo – tal como a maioria dos Madeirenses! Fiz e faço de tudo o que me é possível e de que tenha conhecimento, não estou sentada à espera de que alguém se lembre de mim nem que me deem nada, quero pagar desde que o meu ordenado o permita e que me deixe mais qualquer coisa para comer e para a saúde, para mim e para os meus filhos, ou seja, só desejo viver! Infelizmente, tive de me separar dos meus filhos, enfrentando mais uma separação, esta ainda mais dolorosa, ainda para mais não condições em que vivemos os três atualmente… e continuo assim, desesperadamente, sobrevivendo!

Patrícia Fernandes