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Picadas de alforrecas e caravelas-portuguesas: como agir e prevenir

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O Verão e os dias passados na praia convidam a mergulhos e momentos de descontracção, mas também podem trazer alguns imprevistos. Entre eles estão as picadas de alforrecas e caravelas-portuguesas, espécies que podem ser encontradas nas nossas águas. Saiba como distingui-las, o que fazer em caso de contacto e como prevenir acidentes.

Alforreca e caravela-portuguesa: sabe distingui-las?

Alforreca

Também conhecidas como águas-vivas, as alforrecas têm um corpo gelatinoso, geralmente em forma de cogumelo. Os seus tentáculos, longos e finos, estão cobertos por pequenas estruturas que libertam toxinas e podem provocar reacções dolorosas quando entram em contacto com a pele.

Estas espécies encontram-se em diferentes regiões do mundo e podem surgir em águas com diferentes profundidades.

Caravela-portuguesa

Apesar de ser frequentemente confundida com uma alforreca, a caravela-portuguesa não é uma água-viva. Trata-se de um organismo que flutua à superfície do mar e se desloca graças à acção do vento e das correntes.

A sua característica mais facilmente reconhecível é a bolsa azulada ou arroxeada que mantém à superfície. Os seus tentáculos podem atingir vários metros de comprimento e provocar picadas muito dolorosas, podendo causar lesões semelhantes a queimaduras.

A caravela-portuguesa tende a permanecer à superfície, sobretudo quando o sol é menos intenso, pelo que pode ser mais facilmente avistada durante a manhã, ao final da tarde ou à noite.

Quais são os sintomas de uma picada?

A intensidade da reação varia de acordo com a espécie e a sensibilidade de cada pessoa.

Entre os sintomas mais frequentes estão:

  • sensação de ardor ou queimadura;
  • dor intensa;
  • vermelhidão e aumento da temperatura da pele;
  • aparecimento de vesículas ou bolhas;
  • comichão e inchaço.

Em pessoas mais sensíveis às toxinas libertadas pelos tentáculos podem ocorrer reações alérgicas graves, que exigem avaliação médica urgente.

O que fazer em caso de picada?

Se sentir uma picada enquanto está no mar, mantenha a calma e saia da água, evitando movimentos bruscos que possam aumentar o risco de afogamento.

Na praia, procure de imediato o nadador-salvador, que está preparado para prestar assistência. Se estiver numa praia não vigiada, existem algumas medidas que podem ajudar:

  • Lave cuidadosamente a zona afectada com água do mar, sem esfregar.
  • Não utilize água doce, álcool ou amónia sobre a pele afectada.
  • Se houver tentáculos ou fragmentos presos à pele, não os retire directamente com as mãos. Utilize luvas, uma pinça de plástico, soro fisiológico ou água do mar.
  • Depois de remover os tentáculos, a aplicação de calor na zona afectada durante cerca de 20 minutos pode ajudar a aliviar a dor e a inflamação.
  • A utilização de vinagre pode ser considerada em determinadas situações, embora a sua eficácia seja controversa.
  • Nunca aplique urina ou álcool na zona afectada.
  • Se a dor persistir ou se os sintomas se agravarem, procure assistência médica.

Quanto tempo dura a dor?

Na maioria dos casos, a dor e o desconforto começam a melhorar nos primeiros 20 minutos. No entanto, os sintomas podem persistir durante várias horas e, em alguns casos, até 24 horas.

Durante esse período, podem ser utilizados medicamentos para o alívio da dor, como analgésicos ou anti-inflamatórios, desde que adequados à situação.

Se a dor persistir para além das 24 horas ou surgirem sintomas mais intensos, deve procurar avaliação médica.

Entre os sinais de alerta estão:

  • inchaço ou dor muito intensos;
  • dor persistente apesar dos cuidados realizados;
  • febre;
  • náuseas, vómitos, tonturas ou dores de cabeça;
  • transpiração excessiva;
  • dificuldade em remover um tentáculo;
  • contacto com o rosto ou a zona genital.

Quando pedir ajuda de emergência?

Após o contacto com uma alforreca ou caravela-portuguesa, devem ser imediatamente accionados os serviços de emergência através do 112 perante sinais como:

  • dificuldade em respirar;
  • perda de consciência;
  • convulsões;
  • reacção cutânea intensa;
  • inchaço dos lábios;
  • alterações da voz;
  • dor no peito.

Como prevenir uma picada?

Nem sempre é possível evitar o contacto com estas espécies, mas alguns cuidados podem reduzir o risco:

  • Consulte os avisos existentes na praia relativamente à presença de alforrecas ou caravelas-portuguesas.
  • Não toque nem tente apanhar animais marinhos que encontre na água ou na areia, mesmo que pareçam mortos.
  • Mantenha as crianças sob vigilância quando estão junto ao mar.
  • Se avistar uma caravela-portuguesa, não se aproxime e alerte o nadador-salvador. Numa praia não vigiada, comunique a presença do animal às autoridades marítimas.