Flávio Bolsonaro confiante na vitória nas presidenciais brasileiras e garante ir subir "a rampa do Planalto" com o pai
Flávio Bolsonaro, oficializado hoje candidato às eleições presidenciais brasileiras de outubro, afirmou que vai derrotar Lula da Silva e subir a "rampa do Planalto" com o pai Jair Bolsonaro, em prisão preventiva por tentativa de golpe de Estado.
"O Brasil foi sequestrado e vamos libertar o nosso país desse cativeiro. Em janeiro de 2027, Jair Bolsonaro vai subir aquela rampa do Planalto [sede da presidência brasileira] junto connosco", afirmou o senador Flávio Bolsonaro, numa convenção em São Paulo, que contou com a exibição de um vídeo gerado com recurso a Inteligência Artificial que simulava uma mensagem do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No mesmo evento, que contou com a presença do Presidente argentino, Javier Milei, também foi exibida uma declaração de vídeo de apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
"Essa é uma simulação. Por isso, peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que eu escolhi, Flávio, vem com fé, o Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro Presidente", ouviu-se no vídeo de Inteligência Artificial de Jair Bolsonaro.
Na opinião de Flávio Bolsonaro, as eleições presidenciais são "uma luta do bem contra o mal, de quem defende a família, a liberdade e a segurança pública.
"O Brasil não aguenta mais quatro anos de PT", disse, referindo-se ao Partido dos Trabalhadores (PT), do atual chefe de Estado, Lula da Silva.
Segundo as sondagens, Lula da Silva parte com uma ligeira vantagem sobre o filho mais velho de Jair Bolsonaro.
A mais recente sondagem da Datafolha, divulgada na sexta-feira, atribui a Lula 48% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro numa eventual segunda volta.
O senador de 45 anos enfrenta várias frentes de contestação que têm suscitado dúvidas e críticas em relação ao seu projeto político.
Em paralelo, procura o apoio de outros partidos da direita, mas as negociações não têm avançado.
O Republicanos e a coligação União Progressista, formada pelos partidos de centro-direita União Brasil e Progressistas (PP), continuam sem aderir ao projeto de Flávio Bolsonaro, cuja candidatura tem perdido força em consequência de conflitos familiares e de polémicas relacionadas com a alegada ligação a um banqueiro preso.
A mulher de Jair Bolsonaro, Michelle (que não marcou presença hoje no evento), acusou recentemente publicamente o enteado de a "humilhar" e chegou mesmo a abandonar a presidência da ala feminina do PL.
Na véspera do evento, numa tentativa de apaziguar a situação, Flávio pediu-lhe desculpa através das redes sociais.
O outro foco de preocupação é a alegada ligação de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master, instituição colocada em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025 e atualmente em prisão preventiva.
Vorcaro é investigado por uma fraude milionária no sistema financeiro, através da concessão de créditos falsos.
O escândalo ganhou grande notoriedade à medida que a imprensa foi revelando contactos e alegados negócios de Vorcaro com altas figuras dos três poderes do Estado, desde juízes do Supremo Tribunal Federal a congressistas de diferentes correntes políticas.
Flávio Bolsonaro acabou também envolvido na polémica. Em maio passado, o portal Intercept Brasil revelou que o senador negociou diretamente com Vorcaro um financiamento de vários milhões de reais para a produção de um filme biográfico sobre o pai.
O Supremo Tribunal Federal autorizou na quinta-feira a investigação ao financiamento da longa-metragem, ainda sem data de estreia no Brasil.