São Tomé/Eleições: Abstenção recorde nas presidenciais
O presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CEN) de São Tomé e Príncipe sublinhou hoje em declarações à Lusa que as eleições presidenciais de domingo registaram uma abstenção recorde, com os dados preliminares a apontarem para os 58,81%.
Se nas legislativas a abstenção ficou muito aquém dessa percentagem no histórico de eleições, nas presidenciais é preciso recuar a 2016 para encontrar algo semelhante, quando esta atingiu os 54%, muito por causa da desistência de um dos candidatos, já na segunda volta.
O presidente da CEN, o Governo, as missões de observação eleitoral internacionais e os candidatos eleitorais realizaram repetidos apelos à mobilização popular, mas sem sucesso. A nível nacional a abstenção foi de 55,23%, mas a da diáspora atingiu os 79,97%.
Na conferência de imprensa de hoje que serviu para reagir aos dados provisórios gerais avançados pela CEN, o Presidente de São Tomé e Príncipe, reeleito este domingo para novo mandato de cinco anos, afirmou ser uma preocupação, mas procurou contextualizar os números.
Por um lado, lembrou que este ano foram realizadas mudanças, através de "um processo novo de adaptação dos dados de forma automática com a CEN". E que "nem tudo correu".
Por outro lado, argumentou, os números não são "um exagero" em relação ao que se passa no espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), e recentemente em Portugal e Cabo Verde.
Contudo, o vencedor das eleições e atual chefe de Estado são-tomense admitiu que é necessário "perceber a motivação das pessoas". Ou seja, concluiu: "Preocupa (...) e não nos podemos conformar".
Vila Nova foi reeleito com 55,94% dos votos, contra os 41,92% do principal adversário, Nito d'Abreu.
Os outros dois candidatos não chegaram aos 2%: Eugénio Tiny e Miques João arrecadaram, respetivamente, 1,07% e 1,58%. Voltaram a não contar com qualquer apoio partidário e a sua campanha eleitoral foi praticamente inexistente.
Mais de 142 mil eleitores foram chamados hoje a escolher o Presidente, numas eleições marcadas pela crispação política, mas sem registo de incidentes de maior.
Para a observação das eleições presidenciais de domingo em São Tomé e Príncipe encontram-se no terreno várias missões internacionais, nomeadamente da União Europeia, da União Africana, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dos países do G-7+, da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e ainda da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP).
Segundo a CEN, os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.