Parlamento ucraniano aprova gestor público Serhiy Koretskyi como novo primeiro-ministro
O Parlamento ucraniano aprovou hoje a nomeação do diretor do grupo energético público Naftogaz, Serhiy Koretskyi, para o cargo de primeiro-ministro, no âmbito de uma remodelação ministerial iniciada pelo Presidente Volodymyr Zelensky.
Com 289 votos a favor num total de 318, o Parlamento "votou a nomeação de Serhiy Koretskyi para o cargo de primeiro-ministro da Ucrânia", anunciou a instituição nas redes sociais, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Koretskyi, 48 anos, vai substituir Yulia Svyrydenko, que oficializou a demissão na terça-feira, dois dias depois de Zelensky ter anunciado uma remodelação governamental no âmbito de "uma nova estratégia política".
Svyrydenko, 40 anos, era primeira-ministra da Ucrânia desde 17 de julho de 2025.
"Atravessámos o inverno mais difícil e assegurámos um fornecimento ininterrupto de gás para os ucranianos, apesar de perdas críticas na nossa própria produção", defendeu Koretskyi perante os deputados, antes da votação.
"Demonstrámos que a gestão pública pode e deve ser eficaz", afirmou.
Koretskyi disse que a eficácia "depende antes de tudo das pessoas, da responsabilidade, do profissionalismo e de regras honestas".
"São precisamente estes princípios que quero trazer", acrescentou.
Na véspera da nomeação, Zelensky tinha considerado o gestor como "a pessoa mais bem preparada" para liderar o Governo, nomeadamente para preparar o país para o próximo inverno.
Serhiy Koretskyi dirigiu a principal empresa de gás pública do país durante uma campanha sustentada de bombardeamentos russos contra as infraestruturas energéticas ucranianas.
A designação do gestor para a chefia do Governo causou surpresa em Kiev, uma vez que Koretskyi não dispunha de qualquer experiência política relevante.
A demissão da primeira-ministra implicou a queda do seu Governo, incluindo o ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, o que suscitou protestos em algumas cidades ucranianas.
Em Kiev, centenas de pessoas reuniram-se no centro da capital a gritar palavras de ordem como "vergonha" e "tragam Fedorov de volta", enquanto agitavam bandeiras da Ucrânia e da União Europeia.
Fedorov anunciou na quarta-feira que iria abandonar o cargo, após a demissão da primeira-ministra.
"Foi uma grande honra servir o povo ucraniano como ministro da Defesa", disse o ex-ministro numa longa mensagem nas das redes sociais em que fez um balanço do trabalho no ministério que chefiava desde janeiro.
A remodelação ocorre numa altura em que a Ucrânia tem recuperado alguma iniciativa na guerra que trava com a Rússia desde que foi invadida pelo país vizinho, em fevereiro de 2022.
Moscovo tem respondido aos ataques ucranianos com bombardeamentos que fazem vítimas civis, apesar de alegar que as tropas russas apenas visam alvos militares.