ONU lamenta fogos em Portugal e Espanha e pede transição para energias limpas
O secretário executivo da ONU para as Alterações Climáticas lamentou hoje o custo humano dos incêndios florestais que afetam atualmente Espanha e Portugal, sublinhando que o número de desastres causados pelas mudanças do clima está a aumentar.
"Vidas perdidas, famílias desalojadas, casas e empresas destruídas e comunidades a assistir a partes do seu património natural e cultural a arder", lastimou Simon Stiell.
Na sua opinião, os recentes "incêndios devastadores" fazem parte de uma "tendência global de desastres impulsionados pelas alterações climáticas que se estão a tornar mais severos e frequentes a cada ano".
O cenário tem-se tornado mais abrangente "à medida que a humanidade continua a queimar vastas quantidades de carvão, petróleo e gás, o que está a aquecer o planeta", explicou.
Para Stiell, as soluções são claras.
"Temos de agir agora para acelerar a transição dos combustíveis fósseis para energia limpa e resiliência climática e para proteger as florestas", defendeu o responsável.
A ONU acredita que a transição "já está em curso, mas precisa de ser acelerada".
"A energia limpa não só protege o nosso clima, como também fortalece as economias, cria mais empregos, funciona, melhora a segurança energética e é mais barata e mais fiável do que os combustíveis fósseis", concluiu Stiell.
Nas últimas semanas, a Península Ibérica tem enfrentado várias ondas de calor extremo com temperaturas superiores a 40°C, originando uma das crises de incêndios mais severas dos últimos tempos.
A situação exigiu a ativação imediata do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, motivando um esforço conjunto com operacionais transfronteiriços para conter as chamas.
Em Portugal, o pior e mais destrutivo fogo eclodiu a 02 de julho em Vouzela, consumindo mais de 15 mil hectares em apenas três dias.
Do lado espanhol, o foco mais crítico e trágico registou-se na província de Almería, região da Andaluzia, onde um incêndio, alimentado por ventos fortes, lavrou intensamente, causando a morte de pelo menos 13 pessoas e consumindo cerca de 7.000 hectares de terreno na zona sul.