Caracas nomeia representante nos EUA como ministro para o exterior
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, nomeou o diplomata Félix Plasencia como novo ministro dos Negócios Estrangeiros, numa altura em que país procura ajuda humanitária após o duplo sismo que provocou mais de 4.500 mortos.
"Anuncio ao país que decidi fundir os ministérios das Relações Exteriores e do Comércio Externo (...) Para dirigir esta nova etapa, nomeei o diplomata Félix Plasencia", declarou Rodríguez na plataforma de mensagens Telegram.
Plasencia exercia até agora funções como chefe da missão diplomática venezuelana nos Estados Unidos, e Yván Gil, que ocupou o cargo desde 2023, passa a ministro da Ciência e Tecnologia. Plasencia já tinha ocupado a pasta dos Negócios Estrangeiros entre 2021 e 2022.
Diplomata experiente, o novo chefe da diplomacia venezuelana foi embaixador no Reino Unido, na Colômbia e na China, e chefiava a missão de Caracas em Washington.
Os dois países reativaram relações em março, após terem rompido os laços diplomáticos em 2019, mas continuam sem embaixadores.
A mudança ocorre quando os Estados Unidos, que capturaram o ex-presidente Nicolás Maduro a 03 de janeiro, anunciaram uma ajuda de cerca de 400 milhões de dólares (351 milhões de euros) e o envio de dois navios de guerra para apoiar o país, segundo a embaixada norte-americana.
Rodríguez governa sob pressão de Washington desde a detenção de Maduro. O plano norte-americano prevê estabilizar o país, relançar a economia e avançar para uma transição democrática em três fases.
Nomeado por Maduro, Gil é considerado parte da ala "dura" do poder e integra o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), fundado por Hugo Chávez (1999-2013).
Durante o seu mandato, o ministério multiplicou comunicados hostis contra os Estados Unidos e a Europa.
Em 2024, acusando-os de "ingerência", expulsou representantes de sete países latino-americanos após a contestada reeleição de Maduro. A oposição reivindica vitória nesse escrutínio, marcado por alegações de fraude.
Em janeiro de 2025, Caracas limitou a três o número de diplomatas franceses, italianos e neerlandeses autorizados a permanecer no país, em represália pela recusa em reconhecer a vitória de Maduro. A medida foi progressivamente levantada após 03 de janeiro de 2026, sob pressão norte-americana.
O balanço oficial do duplo sismo de 24 de junho foi revisto em alta esta segunda-feira, ultrapassando os 4.500 mortos, com o país a necessitar de ajuda humanitária urgente.
As autoridades não avançam números de desaparecidos. A ONU estimou até 50.000 no dia seguinte à tragédia, embora outras projeções apontem para cerca de 10.000.
De magnitude 7,2 e 7,5, os dois tremores ocorreram com 39 segundos de intervalo e atingiram sobretudo Caracas e o estado vizinho de La Guaira, onde milhares de deslocados vivem em estádios, praças públicas e passeios.