Bugalho: porta-voz do Partido ou do Governo?

Por este andar, torna-se difícil perceber se Sebastião Bugalho fala em nome do PSD ou se já assumiu, por iniciativa própria, o papel de porta-voz de um Executivo atabalhoado. Com uma pressa incompreensível, o eurodeputado foi o primeiro a vir a público anunciar o pagamento de horas extraordinárias aos professores, numa tentativa de minimizar a incompetência e a monumental embrulhada gerada em torno da correcção dos exames nacionais. Quando deveria ser o Ministério a prestar esclarecimentos, foi um dirigente partidário quem ocupou o espaço mediático. Afinal, o ministro não tinha nada para dizer?

Este Governo continua a projectar uma imagem pálida e confrangedora de eficácia. Demonstra uma gritante incapacidade evidente para resolver os problemas concretos do país, esquecendo-se de que governar exige decisões e soluções, não o hábito se sacudir responsabilidades para a oposição. Mas enquanto o país real exigia liderança e respostas, Luís Montenegro preferiu o mediatismo fácil, entretido em romarias e viagens para acompanhar a selecção nacional, sem se preocupar se essa era, de facto, a prioridade do momento. Terá seguido o conselho do seu extraordinário líder parlamentar Hugo Soares?

Quem fala pelo Executivo está cada vez mais distante da realidade vivida pelos portugueses. Há uma gritante baralhada institucional. O Governo de Montenegro vive mais da comunicação do que da acção, como se governar se fizesse apenas de discursos, quando o país exige competência, responsabilidade e resultados.

Carlos Oliveira