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Rangel convicto que 21.º pacote de sanções à Rússia será aprovado nos próximos dias

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O ministro dos Negócios Estrangeiros previu hoje que o 21.º pacote de sanções à Rússia será aprovado "num espaço de dias" e garantiu que se dependesse de Portugal, entraria já em vigor.

Em declarações aos jornalistas à margem da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), em Bruxelas, Paulo Rangel foi questionado se o bloco não está a desaproveitar a dinâmica de apoio à Ucrânia que se tem sentido nos últimos dias ao tardar em aprovar o 21.º pacote de sanções à Rússia.

"Sinceramente, eu acho que não, porque aquilo que eu vi na atmosfera da sala é que há ainda uma ou duas objeções [sobre o pacote de sanções], mas há um espírito muito aberto para as resolver. Julgo que é uma coisa que, num espaço de dias, será resolvida e, portanto, não haverá aqui -- estou absolutamente convicto -- nenhum bloqueio ao 21.º pacote de sanções", afirmou.

O chefe da diplomacia portuguesa frisou que, em todos os pacotes de sanções, "sempre houve negociações", frisando que isso implica "olhar para as visões dos diferentes Estados".

"Sinceramente, o que eu senti na sala é claramente uma atmosfera para ultrapassar essas diferenças já nos próximos dias", reforçou.

Em causa está o 21.º pacote de sanções à Rússia, apresentado pela Comissão Europeia em junho, e que, na proposta inicial, continha medidas como a proibição de entrada na UE de ex-combatentes russos na guerra da Ucrânia, restrições na importação de pescas ou ainda medidas restritivas contra personalidades russas de relevo, como o patriarca de Moscovo Cirilo.

As divergências entre Estados-membros fizeram com que o pacote não pudesse ser aprovado na reunião de hoje, como era inicialmente esperado, o que poderá pôr em causa o teto ao preço do petróleo russo imposto pela UE, que expira em 15 de julho.

Questionado se Portugal concorda com a proibição de entrada em solo europeu de ex-combatentes russos, Rangel respondeu: "Por Portugal, o pacote de sanções teria sido aprovado hoje".

"Para nós, não há nenhum ponto hoje que esteja em discussão. Obviamente há outros Estados que não estão nessa situação e nós compreendemos, porque obviamente temos de olhar para a complexidade das posições de cada um e ajudar a ter uma saída construtiva", frisou.

Sobre o que é que espera da reunião da Coligação da boa vontade sobre a Ucrânia, que se realiza hoje em Paris e na qual irá participar em representação de Portugal, Rangel salientou que a reunião ocorre "num momento muito especial", após uma cimeira da NATO, em Ancara, que teve "resultados muito positivos, com uma grande abertura dos Estados Unidos" a apoiar Kiev, nomeadamente no que se refere à defesa antiaérea.

"E, portanto, o facto de a Coligação das vontades ter uma reunião hoje em Paris ao mais alto nível tem justamente esse significado, que é no fundo de orientar toda a estratégia da coligação para esta nova realidade: os progressos que a Ucrânia tem feito em termos militares, também os ataques com muito mais impacto civil que tem sofrido, e essa defesa passa essencialmente por um reforço da defesa antiaérea", disse.

O ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu que é preciso "aumentar a pressão" sobre a Rússia, "com sanções, com resiliência energética" da Ucrânia e também com o "enquadramento militar" que será dado pela Coligação da boa vontade em Paris.

O Presidente francês convocou para hoje uma reunião dos líderes dos cerca de 30 países que integram a Coligação da boa vontade sobre a Ucrânia, de forma a planear novas iniciativas que permitam dar "garantias de segurança" a Kiev.

No encontro em Paris, Emmanuel Macron pretende abordar "novas iniciativas de reforço de capacidades e da mobilização em apoio à Ucrânia, fazer novos anúncios e também programar exercícios em conjunto".

Portugal está representado na reunião pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.