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A Guerra Mundo

ONU insta Moscovo e Kiev a evitar medidas que possam alargar guerra

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Foto EPA

A ONU instou hoje a Rússia e a Ucrânia a evitarem medidas que possam levar a um alastramento da guerra, ao alertar para a possibilidade de uma perigosa escalada "com implicações regionais e globais".

O alerta foi deixado pela representante do Departamento de Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz da ONU Martha Pobee, numa reunião do Conselho de Segurança convocada pela Bielorrússia para abordar o ataque com um alegado drone ucraniano que, em 17 de junho, atingiu um autocarro que transportava estudantes bielorrussos na região russa de Bryansk.

"Esta é a sétima vez em seis semanas que o Conselho de Segurança da ONU se reúne em relação à guerra na Ucrânia. A frequência destas reuniões reflete a perigosa escalada desta guerra e os riscos crescentes de maior deterioração, com implicações regionais e globais", afirmou Pobee.

"Estamos alarmados com a recente retórica de escalada e com a possibilidade de um maior alastramento desta guerra. Tudo deve ser feito para evitar que isso aconteça. Por conseguinte, instamos a Federação Russa, a Ucrânia e todos os Estados-membros envolvidos a evitarem quaisquer medidas que possam fazer com que esta guerra - intencionalmente ou não - se propague ainda mais", apelou.

Em 17 de junho, um ataque com um drone atingiu um autocarro que transportava uma equipa de futebol juvenil bielorrussa na região de Bryansk, na Rússia.

De acordo com as autoridades russas e bielorrussas, uma mulher grávida foi morta e nove pessoas, seis das quais crianças, ficaram feridas.

No dia seguinte ao ataque, o Presidente bielorrusso culpou as forças ucranianas pelo ataque.

"Não estamos a tirar conclusões precipitadas, mas notámos claramente que se tratava de um veículo aéreo não tripulado [drone] de origem ucraniana", afirmou Alexander Lukashenko, citado pela agência noticiosa BelTA.

Na reunião de hoje, Pobee esclareceu que as Nações Unidas não têm informações adicionais sobre o incidente, mas frisou que os civis devem ser protegidos.

"Condenamos veementemente todos os ataques contra civis e infraestruturas civis, onde quer que ocorram. São proibidos pelo direito internacional humanitário. Devem cessar imediatamente", insistiu.

A representante da ONU recordou que, desde a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, há mais de quatro anos, a guerra tem fomentado tensões e instabilidade em toda a Europa, com relatos frequentes de violações do espaço aéreo e avistamentos de drones nos países vizinhos da Ucrânia e da Rússia.

Martha Pobee avaliou que a guerra enfrenta agora "um novo ponto de viragem".

"Não podemos correr o risco de um conflito regional mais vasto na Europa", declarou, chamando a atenção para o crescente número de vítimas civis, de destruição cada vez maior e do alargamento do conflito regional.

"Um cessar-fogo imediato, completo e incondicional é urgentemente necessário", apelou.

A Rússia apoiou a Bielorrússia a convocar a reunião de hoje e, perante o corpo diplomático, Moscovo referiu-se ao incidente com o autocarro em Bryansk como um "ato intencional de terrorismo contra civis". 

Este crime é "uma ilustração da essência terrorista" do regime de Volodymyr Zelenskyy, acusou a representante permanente adjunta da Rússia na ONU, Anna Evstigneeva, alegando existirem diversas "provas" que demonstram que o drone era ucraniano e que os autores pertenciam a várias unidades dos serviços de fronteira e das forças armadas da Ucrânia.

Incomodada com a posição adotada pelo Secretariado da ONU, a diplomata criticou: "mais uma vez o que ouvimos de burocratas internacionais são comentários inócuos sobre como é inaceitável atacar civis ou instalações civis".

Apelando ao secretário-geral e aos escritórios da ONU para que condenem inequivocamente esse tipo de ataques, Evstigneeva afirmou que tal dualidade de critérios cria em Kiev uma sensação de total impunidade.

A representante de Moscovo também condenou os diplomatas ocidentais por falarem em cessar-fogo enquanto enviam armas para a Ucrânia.

Porém, vários países europeus argumentaram que se a Rússia estivesse genuinamente preocupada com os civis, poria fim à invasão da Ucrânia.