Acordo com Israel vai acabar com poder armado do Hezbollah
O partido cristão Forças Libanesas, inimigo declarado do movimento xiita libanês Hezbollah, defendeu hoje o acordo entre o Líbano e Israel, afirmando que vai acabar com o poder armado do grupo no sul do país.
O líder das Forças Libanesas, Samir Geagea, declarou que o acordo é o "passo político mais importante dado pelo Estado libanês em meio século", segundo um comunicado divulgado pela Agência Nacional de Notícias libanesa (NNA) e citado pela agência noticiosa espanhola EFE.
Geagea afirmou que o objetivo do acordo é "tirar o Líbano e o povo libanês da situação trágica e das suas repercussões provocadas pelos sucessivos movimentos de 'resistência' no sul", numa clara referência ao Hezbollah.
"Este acordo-quadro não se limita à retirada dos israelitas do Líbano, permitindo que a população do sul regresse às suas casas e aldeias. Além disso, uma vez implementado, fechará definitivamente a ferida aberta no nosso sul, que afetou todos os libaneses", disse.
"Esta ferida aberta, ao contrário do que alegam as várias fações da chamada 'resistência', não contribuiu em nada para a causa palestiniana e destruiu repetidamente o Líbano", acrescentou.
As declarações do político surgem numa altura de grande polarização no país mediterrânico na sequência da assinatura, na passada sexta-feira, em Washington, do acordo negociado pelo Presidente libanês, Josef Aoun, em conjunto com o primeiro-ministro, Nawaf Salam.
O documento estipula que as Forças Armadas libanesas assumirão gradualmente o controlo de "zonas piloto" no sul do Líbano, como um passo preliminar para uma retirada gradual de Israel. A saída gradual das forças israelitas é condicionada ao desarmamento das milícias do pró-iraniano Hezbollah.
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, criticou duramente as autoridades libanesas no sábado, acusando-as de ultrapassarem "linhas vermelhas" com a assinatura do acordo, que descreveu como "uma humilhação, uma desgraça e uma rendição da soberania".
No mesmo dia, o presidente do parlamento do Líbano, Nahib Berri, lamentou que o pacto tenha desencadeado uma agitação interna e apelou à calma do povo libanês.
Desde 02 de março, pelo menos 4.240 pessoas morreram e cerca de 12.200 ficaram feridas nos ataques israelitas, de acordo com a última atualização do Ministério da Saúde libanês. Os ataques obrigaram ainda à deslocação de mais de um milhão de pessoas.
Israel e o Hezbollah iniciaram desta vez os combates no seguimento da guerra no enclave palestiniano da Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.