Nova lei portuguesa abre portas a casa do futuro
Estou com obras em minha casa. Aquilo que achei ser um trabalho simples de duas semanas, conforme me disse a pessoa responsável, já vai em um mês e meio. Todas as semanas há qualquer coisa, um imprevisto, alguém que não pôde vir, uma situação que saiu do que era suposto. Já sabia que era sempre assim mas uma pessoa convence-se sempre de que connosco vai ser diferente. Isso leva-me para a nova lei portuguesa que enquadra a construção modular e lhe abre portas para o futuro. Durante décadas, construir casa foi sinónimo de um sonho. Hoje, para muitos portugueses, tornou-se quase um teste de resistência. Quem já passou por uma obra conhece o filme, prazos que nunca são cumpridos, orçamentos que duplicam sem aviso, falta de mão-de-obra, materiais que sobem de preço de um dia para o outro e uma interminável sucessão de problemas capazes de transformar qualquer sonho num pesadelo.
Construir deixou de ser apenas uma questão de dinheiro. Passou a ser também uma questão de paciência. É precisamente por isso que uma solução, durante muito tempo vista com desconfiança, começa finalmente a conquistar o seu espaço, as casas modulares. Durante anos, muitos associaram estas habitações a construções provisórias ou de qualidade inferior. Nada mais distante da realidade atual. A evolução tecnológica transformou completamente este conceito. Hoje encontramos casas modernas, energeticamente eficientes, confortáveis e arquitetonicamente apelativas, produzidas num ambiente industrial com um rigor difícil de igualar na construção tradicional. Esta mudança de paradigma ganhou agora um novo impulso. A recente alteração ao regime jurídico da urbanização e da edificação veio abrir mais portas à construção industrializada e modular, simplificando procedimentos e reconhecendo que o futuro da habitação também passa por novas formas de construir. Não significa que desapareçam licenciamentos ou regras urbanísticas, mas representa um sinal claro de que o Estado percebeu que a inovação na construção deixou de ser uma curiosidade para passar a ser uma necessidade.
Mas o maior argumento talvez nem seja a estética. É a previsibilidade. Num país onde uma obra pode arrastar-se durante anos, saber que existe uma data relativamente certa para entrar em casa vale quase tanto como a própria casa. Enquanto a construção convencional continua sujeita aos imprevistos do clima, da disponibilidade dos profissionais ou das derrapagens constantes, a construção modular reduz significativamente essas variáveis, oferecendo prazos mais curtos e maior controlo dos custos. Claro que não existem milagres. O terreno continua a ser necessário, os licenciamentos mantêm-se obrigatórios e há burocracias que nenhuma fábrica consegue eliminar. Mas quando a maior parte da construção é feita num ambiente controlado, desaparecem muitos dos problemas que há décadas atormentam quem decide construir. Talvez estejamos perante uma mudança semelhante à que aconteceu na indústria automóvel. Houve um tempo em que quase tudo era artesanal. Hoje ninguém questiona as vantagens da produção industrial, da precisão e da padronização.
Portugal enfrenta uma enorme crise de habitação. Precisamos de construir mais, mais depressa e com maior eficiência. A escassez de mão-de-obra, o envelhecimento dos profissionais do setor e os custos crescentes exigem soluções diferentes das que utilizámos durante décadas. Continuar a fazer tudo exatamente da mesma forma dificilmente produzirá resultados diferentes. Talvez a casa do futuro não seja aquela que demora três anos a nascer, mas sim aquela que chega pronta para acolher uma família em poucos meses. E talvez, pela primeira vez, a legislação esteja finalmente a caminhar ao mesmo ritmo da inovação. No fundo, a verdadeira inovação nem sempre está em inventar algo novo. Muitas vezes consiste apenas em abandonar velhos preconceitos. Eu que viajo muito por África e sinto na pele as dificuldades inerentes que grandes amigos que vivem por lá passam, imagino a diferença que possa fazer num futuro próximo, conseguir comprar uma casa chave na mão sem passar pela dificuldade de materiais ou de quem o possa por lá executar de forma correta.
Frases soltas:
Um médico brasileiro tornou-se viral ao postar no Instagram uma fotografia de uma Unidade de Saúde do Brasil, completamente vazia com a legenda “Seleção Brasileira tem o poder de cura”. Num tom bem humorado o médico brincou com o facto de uma sala que habitualmente está repleta de gente de repente se encontrar sem ninguém. Parece que o futebol tem esse dom ou que muitas vezes as urgências não são assim tão urgentes…
O recente relatório da UNICEF mostra que na Argentina 1.2 milhões de crianças deixaram a pobreza e a pobreza extrema foi reduzida para metade. O nível mais baixo desde 2018. Quem disse que Javier Milei destruiria a Argentina e deixaria milhões de crianças sem apoio estava redondamente enganado. São factos indesmentíveis.