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Presidente do parlamento libanês apela à calma após acordo com Israel

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Foto EPA/WAEL HAMZEH

O presidente do parlamento do Líbano, Nahib Berri, lamentou hoje que o acordo-quadro alcançado na sexta-feira com o governo israelita tenha desencadeado uma agitação interna e apelou à calma da povo libanês.

"Ó povo do Líbano, todo o país mergulhou na discórdia", lamentou Berri num comunicado publicado nas redes sociais, tendo utilizado o termo 'fitna', que num contexto islâmico refere-se a momentos de grande agitação interna.

O presidente do parlamento do Líbano e líder histórico do Movimento Amal é muito próximo do partido-milícia xiita Hezbollah, inimigo histórico de Israel, e que está envolvido desde a guerra de Gaza em intensos combates contra o Exército israelita, além de criticar, desde o início, as aproximações oficiais entre Beirute e Telavive.

Nahib Berrib recorreu ainda a uma fábula do profeta Maomé, Ali ibn Abi Talib, para apelar à calma interna, após os políticos libaneses de todos os quadrantes terem reagido ao acordo, revelando uma divisão entre o Hezbollah e os seus aliados.

O líder do Partido das Falanges Libanesas, de orientação democrata-cristã, Sami Gemayel, saudou o acordo pelo qual "o Líbano sai vitorioso" ao consagrar "o fim da guerra, a retirada total de Israel do território libanês, o reconhecimento oficial por parte de Israel da ausência de qualquer reivindicação ou ambição em relação ao Líbano, bem como a decisão sobre a guerra e a paz nas mãos exclusivas das instituições legítimas".

Já o líder do Movimento Patriótico Livre (MPL), de orientação cristã maronita, Gebran Bassil, manifestou algumas reservas ao considerar que, "apesar das deficiências, é preciso abordar este acordo com responsabilidade".

O acordo "será benéfico se o país recuperar todos os seus direitos, mas se acabar por ser uma fonte de discórdia, tornar-se-á um perigo", acrescentou Bassil, que lamentou que o acordo preliminar não aborde nem a questão dos refugiados palestinianos, nem a disputa entre o Líbano e Israel pelas águas do rio Wazzani ou pelos jazigos de gás ao largo da costa.

O texto definitivo do acordo-quadro assinado na sexta-feira pelo Líbano e por Israel não implica em algum ponto a retirada israelita das zonas que invadiu no sul do país, mas sim uma saída "gradual" e sempre condicionada ao desarmamento das milícias do Hezbollah.

Esta saída "gradual" é aplicável apenas em duas "zonas-piloto" que, segundo fontes oficiais israelitas, se situam além dos limites originais daquilo a que Israel chama a "zona tampão", estabelecida em abril.

O acordo, publicado pelo Departamento de Estado dos EUA, refere-se a um "processo recíproco e gradual" através do qual o Exército libanês "restabelecerá a soberania efetiva" sobre todo o seu território, "enquanto se aguarda o desarmamento verificado" do Hezbollah, que já rejeitou este acordo e advertiu pela enésima vez que não iniciará um processo de desarmamento baseado nestas conversações entre Beirute e Telavive.